quarta-feira, 29 de agosto de 2012

A Bem-Aventurada Virgem Maria, Mãe de Deus



O último capítulo da  Lumen Gentium contempla a Bem-Aventurada Virgem Maria, Mãe de Deus, “como modelo de cristã e membro mais belo da Igreja”. O Concilio quis dedicar-lhe este texto para expressar o significado que Maria tem no mistério de Cristo está relacionado com o amor do Pai, a missão do Filho, o dom do Espírito Santo, a mulher da qual nasceu o Redentor e a nossa filiação divina.
 Para realizar a redenção do mundo, “Deus enviou o seu Filho” (Gal 4,4) e, para “formar-lhe um corpo” (Cf Hb 10,5) quis a livre cooperação de uma mulher, “para lembrar a toda humanidade que Deus assim nos fez, homem e mulher, semelhante a Deus, iguais em dignidade e co-autores…(Genesis, 1,27), e através do ventre materno de uma virgem”… para que recebêssemos a adoção de filhos” (Gál 4,5); Ele que, por amor de nós homens e para nossa salvação, desceu dos céus e se encarnou por obra do Espírito Santo no seio da Virgem Maria. Este mistério da salvação nos é revelado e continuado (continua a ser revelado a toda sua Igreja) na Igreja. Unidos a Cristo como cabeça, e em comunhão com todos os Seus santos, os fiéis devem também venerar a memória da Virgem Maria, Mãe de Deus e de Nosso Senhor Jesus Cristo” (LG 52).
            Reconhecida e honrada como  Mãe de Deus e do Redentor que se fez irmão de todos, Maria se torna também, por adoção, Nossa Mãe. A Sua santidade, enriquecida desde o primeiro instante de sua concepção, e a Sua dignidade de Mãe do Filho de Deus, vem inteiramente dos méritos de Cristo. Mais do que qualquer outra pessoa, o Pai a abençoou e a “escolheu nele (Cristo), para ser santa e imaculada em sua presença, no amor” (Ef 1,3-4).
 Ela é, portanto, a filha predileta de Deus Pai e sacrário vivo do Espírito Santo, e ultrapassade longe, com este dom de graça sem igual, todas as criaturas celestes e terrestres. Segundo Santo Agostinho, ‘com seu imenso amor ela colaborou para que na Igreja nascessem os fiéis, que são membros do Corpo do qual a cabeça é Cristo’. Ela é também saudada como membro que está acima de todos e de modo único na Igreja, além de ser considerada como o modelo da fé e da caridade. Por isso, a Igreja Católica a honra como Mãe, dedicando-lhe, um afeto de piedade filial (LG53).
            A honra que a Igreja sugere não deve ser confundido com ‘latria’ que é reservado somente a Deus. A veneração aos santos é chamado de “dulia”, e à Virgem Maria de ‘hiperdulia’. Os cristãos, pois, não cultuam imagens,  e segundo São Basílio, “a honra prestada a uma imagem se dirige ao modelo original” e quem venera uma imagem venera a pessoa que nela está pintada. A honra prestada às imagens é uma “veneração respeitosa”, e não adoração, que só compete a Deus (CIC 2132).
            O Concílio não teve a intenção de propor uma doutrina completa sobre Maria, mas quis esclarecer, cuidadosamente, tanto a função da Santíssima Virgem no mistério do Verbo Encarnado e do Corpo Místico, quanto os deveres dos próprios homens para com a Mãe de Deus, que é Mãe de Cristo e, especialmente dos fiéis (LG 54).
 A Mãe do Messias aparece profeticamente nos escritos do Antigo Testamento, esboçada primeiramente na promessa da vitória sobre a serpente (Gn 3,15) e depois como a Virgem que há de conceber e dar à luz um filho cujo nome será Emanuel (Is 7,14; Mq 5,2-3). Na Anunciação, quis o Pai de misericórdia que a Encarnação fosse precedida da aceitação por parte da Mãe predestinada, a fim de que, assim como a mulher tinha contribuído para a morte, também a mulher contribuísse para a vida. Ela que ‘em certo sentido, tornou-se a primeira discípula do seu Filho, a primeira a quem Ele parecia dizer: “Segue-me” (RM 20).
 ‘O papel de Maria para com a Igreja é inseparável de sua união com Cristo’ (CIC 964). A união da Mãe com o Filho, na obra da redenção, manifesta-se desde o momento da concepção virginal até sua morte e, podemos afirmar isso seguindo os passos de Maria da anunciação à sua visita a Isabel quando entoou seu canto de louvor (Lc 1,46-55), passando pelo nascimento, pela infância e pela participação na vida pública de Jesus até aos pés da cruz, (LG 57), ‘ela que na peregrinação da fé foi até a “noite da fé, comungando com o sofrimento de seu Filho e com a noite de seu túmulo” (Rm 17-18).
No ministério público de Jesus a manifestação de Maria aparece claramente desde o início, quando nas bodas de Caná obteve, por sua intercessão, que Ele realizasse o seu primeiro milagre. ‘Ela põe-se entre o seu Filho e os homens na realidade de suas privações, das suas diligências e dos seus sofrimentos. Torna-se mediadora, intercessora, não como uma estranha, mas como mãe, além de ser porta-voz da vontade do seu Filho, como quem indica as exigências que devem ser satisfeitas’ (RM 21).
Manteve-se sempre ao Seu lado, até a Sua morte, sofrendo com Ele e associando-se ao Seu sacrifício. E depois se manteve junto aos Apóstolos, implorando com eles, em preces, os dons do Espírito Santo que nela já habitava desde a concepção. Preservada de toda a mancha do pecado original, terminando o curso de sua vida terrestre, foi levada à glória celeste em corpo e alma e exaltada pelo Senhor como Rainha do Universo (LG 58).
 A função maternal de Maria para com a humanidade a torna dotada de uma mediação especial que de modo nenhum obscurece ou diminui a intercessão única de Cristo, mas que antes mostra qual é a sua eficácia, pois elacontinuamente intercede por todos nós junto a seu Filho, mediador por excelência junto a Deus Pai. (LG 60-61)
 Maria ainda é apresentada como figura da Igreja pelo dom e carga da maternidade divina, e cujas virtudes a Igreja deve imitar. Exaltada pela graça de Deus acima de todos os Anjos e de todos os homens, logo abaixo de seu Filho, por ser a Mãe Santíssima de Deus, Maria recebe da Igreja a honra com culto especial nas festas litúrgicas dedicadas à Mãe de Deus e na oração mariana, tal como o Santo Rosário, resumo de todo evangelho (CIC 971). As várias formas de devoção, lembram os fiéis que ao se honrar a Mãe, seja bem conhecido, amado e glorificado o Filho e bem observados os mandamentos daquele “pelo qual existem todas as coisas” (LG 66).
            O Concílio não só ensina, como exorta os fiéis a promoverem dignamente o culto à Virgem Santíssima cujo tema dever ser tratado com abertura religiosa, evitando induzir em erro os irmãos separados ou quaisquer outras pessoas, quanto à doutrina da Igreja Católica.
Ao finalizar, a LG aponta Maria como sinal de esperança certa e de consolação para o Povo de Deus peregrino, exortando a todos para dirigirem súplicas incessantes à Mãe de Deus e Mãe dos homens. Ela, que assistiu com orações desde o início, o alvorecer da Igreja, também agora, possa interceder junto a seu Filho para que todas as famílias dos povos se reúnam em concórdia no único Povo de Deus, para a Glória da Santíssima e Indivisível Trindade (LG 68-69).
Na exortação Apostólica Marialis Cultus,  1974, o papa Paulo VI desejou, em consonância com o Vaticano II e especialmente com a LG,  definir a forma do culto à Virgem Maria na Liturgia. Em 1987 o papa João Paulo II publicou uma Encíclica dedicada a Ela denominada Redemptoris Mater na qual destacava o lugar de Maria na obra da Salvação e confirmou o título, Mãe da Igreja, proclamada pelo Papa Paulo VI, no Concílio Vaticano II, em 21 de novembro de 1964 e em 2002,  no 25° ano de seu pontificado, publicou a  Carta Apostólica Rosarium Virginis Mariae, uma carta dedicada especialmente ao Santo Rosário, convocando a Igreja para que o ano entre  outubro de 2002 a outubro de 2003, fosse consagrado ao Rosário. Nesta carta, o papa, também, propôs alterações no Rosário, acrescentando os Mistérios Luminosos, que refletem sobre a revelação do Reino de Deus já personificado em Jesus.
Fonte: AVF

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