terça-feira, 25 de maio de 2010

Orientações Liturgico-Pastorais de Dom Sérgio para o Tempo Comum 2010

Ano Litúrgico – Tempo Comum.

O Ano Litúrgico celebra o Mistério Pascal de Cristo, compreendido como santificação do tempo em favor de toda a Igreja, “Povo de Deus e Sacramento Universal de Salvação” conforme a Eclesiologia do Vaticano II – Lumen Gentium. É no tempo marcado pelo ritmo das estações (tempo cronológico) que se renova a Nova e Eterna Aliança como tempo de graça e de salvação (tempo Kairológico). É o Mistério de Cristo que a Igreja evoca e celebra no transcorrer de um ano, desde a encarnação, até o seu retorno glorioso. “Dentro da pedagogia do ano litúrgico, a riqueza do conjunto de celebrações, textos bíblicos, sacramentos e sacramentais, a Igreja oferece-nos a possibilidade de vivenciarmos a ‘Páscoa do Cristo na Páscoa da gente e a Páscoa da gente na Páscoa de Cristo’. É importante lembrar que este mistério acontece também na vida das pessoas, homens e mulheres, crianças como nós e que hoje a Igreja proclama Santos e Santas, mas não nasceram assim, foram construindo sua história de santificação pela graça divina e pela participação no projeto do Reino de Deus” (Liturgia em Mutirão II – subsídios para a formação – CNBB, p.67).

O Tempo Comum se caracteriza como um tempo de crescimento e cultivo do Mistério de Cristo no período de 33 ou 34 domingos, estruturado em duas partes: semanas que ocorrem depois do Batismo de Jesus até a Quarta-Feira de Cinzas e da Segunda-Feira depois da solenidade de Pentecostes, até o inicio do Advento. Neste ano, caminhamos com Jesus, iluminados pelo evangelista Lucas, que nos apresenta os pequenos e pobres, como lugar preferido do encontro com Jesus. Em cada um dos acontecimentos presentes em seu evangelho, “Deus vai revelando o mistério de Jesus e nós vamos sendo convidados a aderir mais profundamente, mais apaixonadamente à sua pessoa e à sua causa. Nos acontecimentos cotidianos da vida e da caminhada de Jesus, vamos percebendo o Mistério maior que está presente também em nossa vida, tanto nos acontecimentos extraordinários como também naqueles que nos parecem banais e rotineiros. Em todos eles, é Deus que está presente, é Deus que nos chama, nos fala, nos toca, nos convida ao seguimento de Jesus, nos envia como testemunhas das realidades em que vivemos... Cada domingo é assim uma visita de Deus para nos renovar, para libertar o seu povo, para nos unir mais a ele e entre nós” (Uma só coisa é necessária – Lc 10, 42 – Roteiros Homiléticos do Tempo Comum, Ano C – junho/Agosto de 2010, p.9).

Lembramos que alguns aspectos do Mistério de Cristo, da vida de Maria e dos Santos ocorrem nos domingos do tempo comum: Santíssima Trindade, Nascimento de João Batista (quando coincide com o domingo), São Pedro e São Paulo Apóstolos, Assunção de Nossa Senhora, e como tais requerem solenidade.

A vivência do tempo comum no torne autênticos discípulos missionários de Jesus Cristo, servindo à causa do Reino, como Jesus, amando e servindo nossos irmãos, atraindo-os para Ele. Deixemo-nos conduzir pelo Espírito.


Orientações Litúrgico/Pastorais.



01. O domingo é a páscoa semanal e por isso, muitos elementos da Festa da Páscoa podem ser retomados durante o ano: uso do Círio Pascal, Aspersão no Ato Penitencial, uso do Incenso...

02. Relembramos que o Glória não é um hino trinitário, mas cristológico. Não pode ser substituído por outro cântico. Quando a Comunidade não conhece uma melodia adequada para o mesmo, deve ser recitado.

03. A HOMILIA não pode ser um discurso moralista e cansativo, mas momento de educação da fé, introdução à mistagogia com uma teologia fundada na prática de Jesus.

04. A Comunidade reunida em cada domingo precisa CANTAR O MISTÉRIO CELEBRADO no tempo. Como já lembrou o Papa Bento XVI, não vale qualquer cântico. O Hinário Litúrgico da CNBB, fascículo 3, oferece rico repertório. Os cânticos estão disponibilizados em CDs, pela Editora Paulus, para cada domingo. Vamos consultá-los.

05. A Dignidade da Palavra de Deus exige a proclamação do Ambão – mesa da Palavra, do Lecionário próprio do tempo. É uma ofensa proclamá-la de folhetos, papéis ou outros descartáveis. A Bíblia não é o Livro da liturgia da Palavra. Lembro que o Salmo, parte integrante da Liturgia da Palavra precisa ser proclamado do Ambão. Insisto para que as Paróquias e Comunidades preparem equipes de leitores e salmistas e assim, todos os que estão na Assembléia encantem-se com a proclamação da Palavra. Data show jamais substitua a mesa e a proclamação da palavra.

06. Valorizar mais as Orações Eucarísticas com prefácio próprio.

07. A aclamação memorial (Misterium Fidei) não comporta cantos devocionais. Usar uma das três fórmulas propostas pelo Missal Romano.

08. Valorizar a FRAÇÃO DO PÃO. A mesma não pode ser feita durante os cumprimentos no abraço da paz.

09. O cântico da Comunhão deve retomar o evangelho do domingo, o que garante a unidade das duas mesas: Palavra e Eucaristia.

10. ZELAR PELO ESPAÇO CELEBRATIVO. Ele deve revelar o mistério. Altar, Cruz, Ambão, Cadeira Presidencial, Livros Litúrgicos, Velas, Flores, Lugar da assembléia, Lugar dos Ministros e Acólitos, devem manifestar simplicidade, nobreza e a beleza do mistério, favorecendo a participação de todos.

11. As situações locais e acontecimentos da vida do povo pedem espaço na Assembléia Litúrgica. Objetos que lembrem situações concretas podem ter um lugar no espaço celebrativo e devem fazer parte da procissão de entrada. Ex. bandeira da paz, instrumento lembrando o dia do trabalhador, fotos lembrando os mártires, os apóstolos, cajado lembrando o pastor...

12. Os meses temáticos: vocacional, da Bíblia, missionário devem ser celebrados na dinâmica do ano litúrgico.

13. Cuidar para que os avisos finais sejam passados com clareza e objetividade. Muitas vezes não dizem nada, não convencem.

14. O subsídio da CNBB, Uma só coisa é necessária – Lc 10, 42, Roteiros Homiléticos do Tempo Comum, Ano C – junho/agosto de 2010, apresenta os passos para a preparação das celebrações litúrgicas. Cf. p. 13-15.




Fraternalmente,

Dom Sérgio Aparecido Colombo

Bispo Diocesano

“Como aquele que serve”

terça-feira, 18 de maio de 2010

O Bom Pastor dá a vida pelas suas ovelhas, literalmente


Índia: sacerdote morre tentando salvar jovens de afogamento
GOA, segunda-feira, 17 de maio de 2010 (ZENIT.org). - Um sacerdote morreu na praia de Galgibaga, Índia, tentando salvar três jovens do afogamento, na semana passada.
O Pe. Thomas Remedios Fernandes, de 37 anos, vigário da paróquia de Jesus, Maria e José, estava com um grupo da paróquia que comemorava um dia de convivência na praia, segundo informou a agência Cathnewsindia. Não hesitou em lançar-se ao mar revolto para socorrer três jovens que gritavam por socorro.
O presbítero conseguiu salvar os três - uma jovem e dois rapazes de idades entre 17 e 19 anos -, mas enquanto salvava o terceiro, sofreu um ataque cardíaco e não resistiu.
O ato comoveu as mais de 60 pessoas que testemunhavam o resgate.
O sacerdote recebeu assistência no local e foi levado ao hospital, onde os médicos constataram sua morte. Os três jovens resgatados receberam os primeiros-socorros e passam bem.
Na comunidade católica de Goa vive-se a perda do sacerdote com dor, mas também com admiração e esperança.
"Foi um pastor que deu a vida por suas ovelhas - comenta-se. Neste Ano Sacerdotal, é um exemplo e testemunho para todos os sacerdotes."

sexta-feira, 7 de maio de 2010

OS SETE SACRAMENTOS

Fonte: Compêndio do CIC.
- Sacramentos da Iniciação Cristã.
Estabelecem os fundamentos da vida cristã: por eles somos renascidos pelo Batismo, fortalecidos pela Confirmação e nutridos pela Eucaristia.

- BATISMO
Batizar significa imergir na água. Quem é batizado é imerso na morte de Cristo e ressurge com ele como nova criatura. (II Cor. 5, 17).

- Na bíblia:
Alusões ao Batismo no Antigo Testamento: Arca de Noé, que salva por meio da água; passagem do mar vermelho, que liberta o povo da escravidão egípcia; travessia do Jordão, que introduz Israel na terra prometida. A água sempre aparece como sinal de vida ou de morte.
Jesus Cristo foi batizado por João Batista no Jordão.
Na cruz, do seu lado traspassado, brotam sangue e água: símbolos da Eucaristia e do Batismo.
Depois da ressurreição Jesus confia aos apóstolos essa missão: Ide, pois, fazer discípulos entre todas as nações, e batizai-os em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo (Mt 28, 19).

- O rito:
Qualquer pessoa ainda não batizada pode receber o Batismo.
O rito essencial desse sacramento consiste em imergir na água o candidato ou em derramar água sobre sua cabeça, enquanto é invocado o Nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
Têm-se o costume de se batizar as pessoas ainda crianças, pois os pais desejam inseri-las o quanto antes no reino da liberdade dos filhos de Deus.
Requer-se de todo batizado a profissão de fé, que no caso do adulto é expressa pessoalmente, ou no caso das crianças pelos pais e pela Igreja. Os padrinhos e toda a comunidade tem responsabilidade no desenvolvimento da fé e da graça batismal do neo-batizado.
Cabe aos ministros ordenados batizar, porém em caso de necessidade qualquer pessoa pode batizar derramando água sobre a cabeça do candidato e pronunciando a fórmula batismal: “Eu te batizo (fulano) em Nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo”. Depois se complementa esse rito na Igreja.

O batismo é necessário a salvação. Porém podem ser salvos aqueles que morreram por causa da fé mesmo sem ter recebido o Batismo (Batismo de sangue) e também aqueles que, mesmo sem conhecer Cristo e a Igreja, procuram sinceramente Deus e se esforçam para cumprir sua vontade (Batismo de desejo). Quanto as crianças mortas sem esse sacramento a Igreja as recomenda a misericórdia de Deus.

- Os efeitos desse sacramento:
Perdoa o pecado original, todos os pecados pessoais as penas devidas ao pecado;
É incorporado a Cristo e a sua Igreja;
É marcado com o selo indelével de Cristo, ou seja, pertence para sempre a Cristo;
Entra em comunhão com todos os irmãos;
Participa do sacerdócio de Cristo;
Recebe as virtudes teologais (Fé, Esperança e Caridade) e os dons do Espírito Santo.


- CONFIRMAÇÃO (Crisma)
Esse sacramento chama-se Crisma, por causa da unção e também Confirmação, porque confirma e consolida a graça batismal.

- Na bíblia e na história da igreja:
No Antigo Testamento os profetas eram movidos pelo Espírito do Senhor.
Toda vida e missão de Jesus se desenvolvem numa total comunhão com o Espírito Santo.
Os apóstolos receberam o Espírito Santo no Pentecostes.
Ao longo dos séculos a Igreja continuou a viver desse mesmo Espírito e comunicou o dom do Espírito Santo aos seus filhos pela imposição das mãos.

- O rito:
O essencial da Confirmação é a unção com o sagrado crisma (óleo com balsamo consagrado pelo bispo) que se faz pela imposição da mão por parte do ministro que pronuncia a as palavras sacramentais: “(fulano) Recebe por esse sinal o dom do Espírito Santo”.
Pode e deve receber a Crisma, uma única vez, todo aquele que já foi batizado.
Para recebê-lo mais eficazmente deve estar em estado de graça (ter se confessado antes).
O ministro originário desse sacramento é o bispo, pois assim se manifesta melhor a ligação do crismado com a Igreja.

- Os efeitos desse sacramento:
Recebe especial efusão do Espírito Santo, como em pentecostes;
Essa efusão imprime na alma um caráter indelével (que não se apaga) e produz um crescimento da graça batismal;
Enraíza mais profundamente na filiação divina;
Une mais solidamente a Cristo e a sua Igreja;
Aumenta na alma os dons do Espírito Santo;
Dá força especial para testemunhar a fé cristã.


- EUCARISTIA
É o próprio sacrifício do Corpo e do Sangue de Cristo.
Ele instituiu para perpetuar pelos séculos, até seu retorno, o sacrifício da cruz; confiando à Igreja o memorial de sua morte e ressurreição.
Jesus instituiu esse sacramento na Quinta-Feira Santa celebrando com seus apóstolos a Última Ceia (I Cor. 11, 23-26; Mt 26, 26-29).

- Os diversos nomes:
A insondável riqueza desse sacramento se exprime com diversos nomes que evocam seus aspectos particulares: Eucaristia, Santa Missa, Ceia do Senhor, Fração do pão, Celebração eucarística, Memorial da paixão, morte e ressurreição do Senhor, Santíssimo Sacramento do altar, Santa ou Sagrada Comunhão, Santo Sacrifício etc.

- Celebração:
A celebração desse sacramento desdobra-se em dois grandes momentos que formam um só ato de culto: A Liturgia da Palavra, com a proclamação e a escuta da Palavra de Deus e a Liturgia Eucarística, que compreende a Oração Eucarística, no qual contém as palavras da consagração e a comunhão.
A celebração da Eucaristia é fonte e ápice de toda a vida crista. Nela se expressa a ação santificante de Deus para conosco e o nosso culto para com ele.
O sacerdote (bispo ou padre) é quem celebra esse sacramento agindo na pessoa de Cristo cabeça e em nome da Igreja.
A Eucaristia é memorial no sentido de que torna presente e atual o sacrifício que Cristo ofereceu ao Pai na cruz, uma vez por todas, em favor da humanidade toda.
Também se torna o sacrifício dos membros do corpo de Cristo. A vida dos fiéis, seu sofrimento, sua oração, seu trabalho estão todos unidos ao sacrifício redentor de Jesus.
A Eucaristia é oferecida por todos os fiéis vivos e falecidos, em reparação dos nossos pecados e em união com a Igreja celeste.
A Igreja obriga (recomenda) que os fiéis participem da Missa inteira todo domingo e nas festas de preceito.
Para se receber a comunhão deve-se estar plenamente incorporado à Igreja católica e estar em estado de graça, ou seja, sem consciência de pecado mortal.

- Transubstanciação:
Sob as espécies eucarísticas do pão e do vinho Cristo todo está presente: Deus e homem, pela transubstanciação, ou seja, mediante as palavras de Cristo que são ditas na oração eucarística acontece a conversão de toda substância do pão no Corpo e toda substância do vinho no Sangue de Cristo.
Jesus Cristo está presente na eucaristia de modo único e incomparável, de modo verdadeiro, real e substancial, isto é, com o seu Corpo e com o seu Sangue, sua Alma e Divindade.
Por isso dedicamos à Eucaristia o culto da Latria, que é a adoração reservada exclusivamente a Deus.
Na fração do pão não se divide Cristo, pois ele esta presente por inteiro até na menor espécie eucarística.

- Os frutos da santa Comunhão:
Aumenta a nossa união com Cristo e com sua Igreja; Conserva e renova a graça recebida no Batismo e na Crisma; Fortalece-nos para a peregrinação nesta vida e nos faz desejar a vida eterna; Faz-nos crescer no amor para com o próximo; Fortifica-nos na caridade; Enche-nos de graça e bênçãos do Céu; Cancela os pecados veniais e preserva-nos de futuros pecados mortais.


- Os sacramentos de cura.
Cristo, médico da alma e do corpo, os instituiu porque a vida nova que nos foi dada nos sacramentos da iniciação pode ser enfraquecida e até perdida por causa do pecado. Por isso Cristo quis que a Igreja continuasse a sua obra de cura e de salvação mediante esses dois sacramentos.

- PENITÊNCIA (Reconciliação)
Também chamado de sacramento do Perdão, da Confissão, da Conversão.
Cristo instituiu esse sacramento para a conversão dos batizados que se afastaram dele pelo pecado, uma vez que o Batismo não eliminou a fraqueza da natureza humana nem a inclinação ao pecado, isto é, a concupiscência.

- Na Bíblia:
Jesus ressuscitado instituiu esse sacramento quando apareceu aos seus apóstolos e lhes disse: “Recebei o Espírito Santo. A quem perdoardes os pecados, serão perdoados; a quem os retiverdes, eles serão retidos” (Jo 20, 22-23).

- Elementos essenciais desse sacramento:
Exame de consciência;
Contrição ou arrependimento, que inclui o propósito de não mais pecar;
Confissão, onde se revela os pecados perante o sacerdote;
A satisfação, que é o cumprimento da penitência dada pelo confessor para reparar, de algum modo, o dano causado pelo pecado.

- Outros dados importantes:
Devem-se confessar todos os pecados graves ainda não confessados.
Os ministros desse sacramento são os bispos e os presbíteros, somente eles exercem o poder de perdoar os pecados em Nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
Dada a delicadeza e a grandiosidade desse ministério e o devido respeito às pessoas, todo confessor é obrigado, sem exceção e sob penas muito severas, a guardar o sigilo absoluto dos pecados confessados na confissão.

A penitência se demonstra particularmente com o jejum, a oração e a esmola. Essas e muitas outras formas de penitência a Igreja recomenda que sejam praticadas na vida cotidiana do cristão e especialmente na Quaresma.
A penitência interior consiste no “coração contrito” (Sl 50/51) e sugere o desgosto e a repulsa pelos pecados cometidos, o firme propósito de não mais pecar no futuro e a confiança na ajuda misericordiosa de Deus.
As indulgências são a remissão diante de Deus da pena temporal causada pelos pecados. Os fiéis, em determinadas condições, adquire para si ou para os defuntos mediante o ministério da Igreja.

- Os efeitos desse sacramento:
Reconciliação com Deus e absolvição dos pecados confessados;
Remissão da pena eterna merecida por causa dos pecados mortais;
Reconciliação com a Igreja;
Recuperação do estado de graça;
A paz e a serenidade da consciência;
A consolação do Espírito e o crescimento das forças espirituais para o combate cristão. 


- UNÇÃO DOS ENFERMOS
É a oração de intercessão, seguida pela unção, que a Igreja exerce em favor daqueles que estão doentes, como em Tiago 5, 14: “Alguém dentre vós está doente? Mande chamar os presbíteros da Igreja, para que orem sobre ele, ungindo-o com óleo no nome do Senhor”.

- Na Bíblia:
No Antigo Testamento o homem concebe a doença como algo que está misteriosamente ligado ao pecado. Os profetas diziam que ela podia ter um valor redentor para os pecados da pessoa e também dos outros.
No Novo Testamento a compaixão de Jesus para com os doentes e as numerosas curas feitas por ele revelam a chegada do Reino de Deus e, portanto a vitoria sobre o pecado, sobre o sofrimento e sobre a morte.
Com a paixão e morte de Jesus o sofrimento ganha um novo sentido: se unirmos o nosso sofrimento ao dele torna-se meio de purificação e salvação.

- Rito:
Pode receber a Unção o fiel que começa a se encontrar em perigo de morte por doença ou velhice.
O mesmo fiel pode recebê-lo outras vezes quando a doença se agrava ou por ocasião de outra doença.
Se possível, antes da Unção, o fiel pode receber o sacramento da confissão.
Somente os sacerdotes (Padre e Bispo) ministram esse sacramento.
A celebração consiste essencialmente na unção com o óleo dos enfermos, bento pelo bispo, sobre a fronte e sobre as mãos do doente, acompanhada pela oração de intercessão.

- Os efeitos desse sacramento:
Confere uma graça particular, que une mais intimamente o doente à Paixão de Cristo, para o seu bem e de toda a Igreja.
Dá-lhe conforto, paz, coragem e até o perdão dos pecados, se o doente não pode confessar-se.
Permite, se Deus o quiser, a recuperação da saúde física.
Prepara o doente para a passagem à Casa do Pai (Extrema Unção).

- O Viático é a Eucaristia recebida por aqueles que estão por deixar esta vida terrena, como semente de vida eterna.


- Os sacramentos a serviço da comunhão e da missão.
A Ordem e o Matrimônio conferem uma graça especial para uma missão particular na Igreja a serviço da edificação do povo de Deus. Eles contribuem em particular para a comunhão eclesial e para a salvação dos outros.


- ORDEM
É o sacramento graças ao qual a missão confiada por Cristo aos seus apóstolos continua a ser exercida na Igreja até o final dos tempos.
Ordem indica um corpo eclesial de que se passa a fazer parte mediante uma especial consagração (Ordenação), a qual, por um particular dom do Espírito Santo aquele que é ordenado exerce um sagrado poder em nome e com a autoridade de Cristo a serviço do povo de Deus.

- Na Bíblia:
No Antigo Testamento há prefigurações desse sacramento como o serviço dos Levitas (Cf. Nm 1, 47-53), o sacerdócio de Aarão e a instituição dos setentas Anciãos (Cf. Nm 11, 25).
Essas prefigurações encontram seu cumprimento em Cristo Jesus, o qual, com o sacrifício da cruz é o único mediador entre Deus e os homens (Cf. I Tm 2,5) e o Sumo e Eterno sacerdote (Cf. Hb 5,10).
O único sacerdócio de Cristo se torna presente pelo sacerdócio ministerial. Diz Santo Tomás de Aquino: “Somente Cristo é o verdadeiro sacerdote, os outros são seus ministros”.

- In persona Christi Capitis. (Na pessoa de Cristo cabeça):
É o próprio Cristo que age na pessoa do sacerdote quando este está a serviço da Igreja.
O sacerdote age na pessoa de Cristo principalmente quando ele está celebrando os sacramentos
Porém esta presença de Cristo no ministro ordenado não deve ser compreendida como se este estivesse imune de todas as fraquezas humanas. O sacerdote continua sendo humano e é pela sua humanidade que se revela a divindade de Cristo.

- Os três graus do sacramento da ordem:
1º Grau: Diaconato. É ordenado para o serviço da Igreja a respeito do ministério da Palavra, do culto divino, da orientação pastoral e da caridade.
2º Grau: Presbiterado. O presbítero (padre) é consagrado para pregar o Evangelho, apascentar os fiéis e celebrar o culto divino. Exerce seu ministério numa Igreja particular (Paróquia, Diocese) como colaborador e em comunhão com o seu bispo.
3º Grau: Episcopado: o epíscopo (bispo) ao receber a plenitude desse sacramento torna-se um legítimo sucessor dos Apóstolos tendo o oficio pastoral de ensinar, santificar e conduzir a diocese.  
Papa, Cardeal, Núncio, Monsenhor, Pároco, Vigário entre outros, são apenas títulos.

- Celibato:
Apenas os batizados do sexo masculino podem receber o sacramento da Ordem, pois Cristo só escolheu homens para serem Apóstolos (Cf. Marcos 3, 16-19).
Eles devem guardar o celibato “por causa do Reino dos Céus” (Cf. Mateus 19, 12) e para poderem se dedicar integralmente ao seu serviço para a Igreja.


- MATRIMÔNIO (Casamento)
Deus, que é amor e criou o ser humano para o amor, chamou-o a amar. Criando o homem e a mulher Deus os chamou a uma íntima comunhão de vida e de amor entre si por meio do Matrimônio; “Assim eles não são mais dois, mas uma só carne” (Cf. Mc 10,9).
Tem como finalidade a comunhão e o bem dos cônjuges e também a geração e educação dos filhos.

- Na Bíblia:
No Antigo Testamento a aliança nupcial de Deus com Israel prepara e prefigura a Nova Aliança realizada pelo Filho de Deus, Jesus Cristo, com sua esposa, a Igreja.
No Novo Testamento Jesus restabelece a aliança inicialmente querida por Deus. São Paulo mostra a dignidade do Matrimônio comparando-o com o amor de Cristo pela Igreja. “Maridos, amai as vossas mulheres como Cristo amou a Igreja”. (Cf. Ef 5,25).

- Rito:
O matrimônio não é uma obrigação para todos, há aqueles que são chamados a viver o celibato pelo Reino dos Céus.
A celebração desse sacramento é publica, uma vez que estabelece os cônjuges num estado publico de vida na Igreja. É feito na presença do sacerdote (ou da testemunha qualificada pela Igreja) e das outras testemunhas.
O consenso matrimonial é a vontade expressa por um homem e por uma mulher de se doar mutuamente e definitivamente com o objetivo de viver uma aliança de amor fiel e fecundo. O consentimento, na celebração do Matrimônio é indispensável e insubstituível e deve ser feito de maneira consciente e livre.

- Pecados contrários ao Matrimônio.
Assim como o primeiro pecado provocou a ruptura da união entre o Criador e os seres humanos (Cf. Gn 3), a união matrimonial é muitas vezes ameaçada pela discórdia e pela infidelidade;
O adultério e a poligamia contradizem a igual dignidade entre homem e mulher;
A rejeição da fecundidade priva a vida conjugal do dom dos filhos;
O divorcio transgride a indissolubilidade.

- Os efeitos desse sacramento:
Gera entre os cônjuges um vínculo perpétuo e exclusivo;
É o próprio Deus que sela o consenso dos esposos, portanto jamais pode ser dissolvido;
O sacramento confere aos esposos a graça necessária para atingir a santidade na vida conjugal.

- Outras posturas da Igreja:
A Igreja admite a separação física dos esposos quando a coabitação deles se tornou, por motivos graves, praticamente impossível. Porém eles não estão livres para contrair uma nova união. Ao menos que o Matrimônio seja declarado nulo pela autoridade eclesiástica.
Não é reconhecida a união dos divorciados recasados (Cf. Mc 10, 11-12). A Igreja tem uma atitude de atenta solicitude para com eles convidando-os a uma vida de fé, de oração, de obras de caridade, etc, porém não podem receber a comunhão eucarística e nem exercer certas responsabilidades na comunidade.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Dízimo e oferta

Para a comunidade existir e manter seus trabalhos são necessários recursos financeiros. Tais recursos são alcançados na maioria das vezes por festas, bingos, rifas, alugueis, dizimo, oferta e etc. De todas essas formas de captação de recursos apenas o dizimo e a oferta são bíblicas.

Dizimo e oferta são expressões de fé e demonstram compromisso com a comunidade.



- Dizimo

O primeiro passo para ser um dizimista consciente é estar disposto a lutar contra o egoísmo, pois onde há egoísmo não há partilha nem comunhão.

Ser Igreja é fugir do egoísmo e partilhar tudo o que temos e somos.

Dizimo é ato de fé, é prova de amor, é um jeito concreto de viver a partilha.

Alem de ser sinal de compromisso com a comunidade, o dizimo é devolução, pois por meio dele devolvemos um pouco a Deus do muito que Ele nos dá.

São necessárias duas condições básicas para ser dizimista: fé e renda. Todas as pessoas que possuem fé e renda devem assumir o dizimo.

Se analisarmos o significado da palavra, dizimo significa a décima parte, ou seja, 10%. Porém devemos nos orientar de acordo com as palavras de São Paulo: “Cada um dê conforme decidir em seu coração, sem pena ou constrangimento, porque Deus ama quem dá com alegria” II Coríntios 9, 7 dizimo, antes de ser porcentagem ou dinheiro, deve ser proposta de coração, feita de acordo com as minhas possibilidades.

Se nossa renda é mensal, devemos assumir o dizimo mensalmente, pois as despesas da comunidade são mensais.

Não deve ser dizimista para abafar minha consciência, pois alguns pensam que dando o dizimo estão comprando um pedacinho do céu. O dizimo por si só não salva ninguém! Porém o dizimo quando compreendido e vivido conscientemente é um grande caminho de transformação, pois leva o espírito de partilha às pessoas. (Ler: Mateus 23,23)



-Diferença



DIZIMO: é um compromisso que assumo com Deus, atraves da comunidade onde participo. É uma parte daquilo que ganho, que entrego mensalmente na comunidade. O ato de ser dizimista consciente demonstra maturidade cristã e responsabilidade com a comunidade.



OFERTA: é um gesto de partilha que faço independente do dizimo. Na celebração é um pequeno sinal de gratidão pelo muito que Deus nos dá.



- Oferta

Alguns não a entendem como oferta a Deus, mas como esmola para o padre ou para a Igreja. Outros acham que só com uma grande quantidade de dinheiro é possível a participação. (LER: Deuteronômio 16, 10-17).

Não podemos esquecer que para Deus, mais importante que a oferta é o ofertante, ou seja, a pessoa e não o valor da oferta.

A oferta pode ser feita de diversas maneiras, um exemplo é a oferta dos meus dons. Isto é, colocando-se a serviço da comunidade no que ela precisa. Na maioria das comunidades faltam pessoas para ajudar nas diversas pastorais e movimentos. Você pode ofertar um pouco do seu tempo exercendo, conforme seus dons, um trabalho na comunidade.



- Destinação

O dizimo e as ofertas devem manter mensalmente na paróquia e na comunidade as três dimensões abaixo:



DIMENSÃO RELIGIOSA

Tudo que é colocado à nossa disposição no templo faz parte da dimensão religiosa, por exemplo:

Limpeza: produtos e utensílios.

Liturgia: folhetos, livretos de canto, vinho, velas, partículas, flores, etc.

Contas: água, luz, telefone, impostos, etc.

Catequese: livros, revistas, CDs, DVDs, televisão, projetor, Xerox, etc.

Manutenção: casa paroquial, templo, salão, carro, etc.

Funcionários: padre, secretária, diarista, motorista, sacristão entre outros.



DIMENSÃO SOCIAL

Parte da arrecadação deve ser destinada às obras sociais da diocese, paróquia e comunidade.

É preocupação constante da Igreja acolher Jesus na figura do órfão, da viúva, do migrante, do desempregado, dos doentes e dos marginalizados. (Cf. Mateus 25, 31ss).

Serviços: atendimento médico e odontológico, creche, psicólogos, assistentes sociais, etc.

Pastorais sociais: da criança, do idoso, da saúde, operária, grupo de vicentinos, etc.

Formação: escolas para crianças carentes, cursos profissionalizantes, casas de recuperação, etc.

A dimensão social é libertadora e não paternalista, pois não só socorre os pobres nos momentos difíceis, mas capacita-os a viver independente e dignamente, através de um trabalho de promoção humana e de transformação social.



DIMENSÃO MISSIONARIA

Não podemos entender como Igreja apenas a nossa comunidade. Devemos entender a Igreja como um todo, com um caráter universal, por isso uma parte do que é arrecadado na comunidade vai para a diocese é de lá é investido:

Missão: auxílio aos missionários, comunidades missionárias, projetos de missão em andamento, etc.

Outras comunidades: há uma comunhão universal, através de projetos de solidariedade com outras dioceses.

Formação de agentes de pastorais: cursos de capacitação, escola de teologia para leigos, etc.

Formação de novos sacerdotes: seminários.

Pastorais diocesanas: todas as pastorais recebem auxilio da diocese.



- Passagens bíblicas: Antes de ser dinheiro é Palavra de Deus.

Dizimo: Levítico 27, 32; Números 18, 21 e 28; Neemias 10, 38-39; Tobias 1, 6-7; Lucas 11, 42; Hebreus 7, 5.

Oferta: Genesis 4, 3-4; Êxodo 25 1-2; Deuteronômio 16, 10; I Crônicas 29, 5b-6 e 13-17; Provérbios 11, 24-25; Lucas 21, 1-4; Atos 2, 42-47.



“Cada um dê conforme decidir em seu coração, sem pena ou constrangimento,

porque Deus ama quem dá com alegria” II Coríntios 9, 7

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Muito mais que pedofilia - Por Cardeal Odilo Pedro Scherer

As notícias sobre pedofilia, envolvendo membros do clero, difundiram-se de modo insistente. Tristes fatos, infelizmente, existiram no passado e existem no presente; não preciso discorrer sobre as cenas escabrosas de Arapiraca… A Igreja vive dias difíceis, em que aparece exposto o seu lado humano mais frágil e necessitado de conversão. De Jesus aprendemos: “Ai daqueles que escandalizam um desses pequeninos!” E de São Paulo ouvimos: “Não foi isso que aprendestes de Cristo”.

As palavras dirigidas pelo papa Bento XVI aos católicos da Irlanda servem também para os católicos do Brasil e de qualquer outro país, especialmente aquelas dirigidas às vítimas de abusos e aos seus abusadores. Dizer que é lamentável, deplorável, vergonhoso, é pouco! Em nenhum catecismo, livro de orientação religiosa, moral ou comportamental da Igreja isso jamais foi aprovado ou ensinado! Além do dano causado às vítimas, é imenso o dano à própria Igreja.

O mundo tem razão de esperar da Igreja notícias melhores: Dos padres, religiosos e de todos os cristãos, conforme a recomendação de Jesus a seus discípulos: “Brilhe a vossa luz diante dos homens, para que eles, vendo vossas boas obras, glorifiquem o Pai que está nos céus!” Inútil, divagar com teorias doutas sobre as influências da mentalidade moral permissiva sobre os comportamentos individuais, até em ambientes eclesiásticos; talvez conseguiríamos compreender melhor por que as coisas acontecem, mas ainda nada teríamos mudado.

Há quem logo tem a solução, sempre pronta à espera de aplicação: É só acabar com o celibato dos padres, que tudo se resolve! Ora, será que o problema tem a ver somente com celibatários? E ficaria bem jogar nos braços da mulher um homem com taras desenfreadas, que também para os casados fazem desonra? Mulher nenhuma merece isso! E ninguém creia que esse seja um problema somente de padres: A maioria absoluta dos abusos sexuais de crianças acontece debaixo do teto familiar e no círculo do parentesco. O problema é bem mais amplo!

Ouso recordar algo que pode escandalizar a alguns até mais que a própria pedofilia: É preciso valorizar novamente os mandamentos da Lei de Deus, que recomendam atitudes e comportamentos castos, de acordo com o próprio estado de vida. Não me refiro a tabus ou repressões “castradoras”, mas apenas a comportamentos dignos e respeitosos em relação à sexualidade. Tanto em relação aos outros, como a si próprio. Que outra solução teríamos? Talvez o vale tudo e o “libera geral”, aceitando e até recomendando como “normais” comportamentos aberrantes e inomináveis, como esses que agora se condenam?

As notícias tristes desses dias ajudarão a Igreja a se purificar e a ficar muito mais atenta à formação do seu clero. Esta orientação foi dada há mais tempo pelo papa Bento XVI, quando ainda era Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé. Por isso mesmo, considero inaceitável e injusto que se pretenda agora responsabilizar pessoalmente o papa pelo que acontece. Além de ser ridículo e fora da realidade, é uma forma oportunista de jogar no descrédito toda a Igreja católica. Deve responder pelos seus atos perante Deus e a sociedade quem os praticou. Como disse São Paulo: Examine-se cada um a si mesmo. E quem estiver de pé, cuide para não cair!

A Igreja é como um grande corpo; quando um membro está doente, todo o corpo sofre. O bom é que os membros sadios, graças a Deus, são a imensa maioria! Também do clero! Por isso, ela será capaz de se refazer dos seus males, para dedicar o melhor de suas energias à Boa Notícia: para confortar os doentes, visitar os presos nas cadeias, dar atenção aos abandonados nas ruas e debaixo dos viadutos; para ser solidária com os pobres das periferias urbanas, das favelas e cortiços; ela continuará ao lado dos drogados e das vítimas do comércio de morte, dos aidéticos e de todo tipo de chagados; e continuará a acolher nos Cotolengos criaturas rejeitadas pelos “controles de qualidade” estéticos aplicados ao ser humano; a suscitar pessoas, como Dom Luciano e Dra. Zilda Arns, para dedicarem a vida ao cuidado de crianças e adolescentes em situação de risco; e, a exemplo de Madre Teresa de Calcutá, ainda irá recolher nos lixões pessoas caídas e rejeitadas, para lavar suas feridas e permitir-lhes morrer com dignidade, sobre um lençol limpo, cercadas de carinho. Continuará a mover milhares de iniciativas de solidariedade em momentos de catástrofes, como no Haiti; a estar com os índios e camponeses desprotegidos, mesmo quando também seus padres e freiras acabam assassinados.

E continuará a clamar por justiça social, a denunciar o egoísmo que se fecha às necessidades do próximo; ainda defenderá a dignidade do ser humano contra toda forma de desrespeito e agressão; e não deixará de afirmar que o aborto intencional é um ato imoral, como o assassinato, a matança nas guerras, os atentados e genocídios. E sempre anunciará que a dignidade humana também requer comportamentos dignos e conformes à natureza, também na esfera sexual; e que a Lei de Deus não foi abolida, pois está gravada de maneira indelével na coração e na consciência de cada um.

Mas ela o fará com toda humildade, falando em primeiro lugar para si mesma, bem sabendo que é santa pelo Santo que a habita, e pecadora em cada um de seus membros; todos são chamados à conversão constante e à santidade de vida. Não falará a partir de seus próprios méritos, consciente de trazer um tesouro em vasos de barro; mas, consciente também de que, apesar do barro, o tesouro é precioso; e quer compartilhá-lo com toda a humanidade. Esta é sua fraqueza e sua grandeza!

Cardeal Odilo Pedro Scherer é Arcebispo da Arquidiocese de São Paulo/SP.

Fonte: Artigo publicado em O ESTADO DE SÃO PAULO, ed. 11. 04.2010.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Sugestões para dinamizar as celebrações do mês de Maio de 2010

TEMPO PASCAL – ANO C



MÊS DE MARIA



Quinto Domingo da Páscoa (1-2 Maio 2010)



1ª Leitura: Atos dos Apóstolos 14, 21-27

Salmo 145 (144): Bendirei o vosso nome, ó meu Deus, meu Senhor e meu Rei para sempre.

2ª Leitura: Apocalipse 21, 1-5

Evangelho: João 13, 31-35 (Eu vos dou um novo mandamento: Amai-vos uns aos outros.)





- Frases temáticas: (Obs.: usar essas frases em cartazes espalhados pela Igreja, na porta de entrada ou trazê-los nas procissões de entrada, da Palavra ou do ofertório).

Eu vos dou um novo mandamento: Amai-vos!

Construímos a civilização do amor.

Deus ama a todos, sem distinção.

Amai-vos, como eu vos amei!

Deus enxugará toda lagrima dos seus olhos.

Misericórdia e piedade é o Senhor!

Bendirei o vosso nome para sempre!



- Espaço celebrativo:

Preparar o ambiente destacando o Círio pascal e a pia batismal. Usar flores naturais, sem ocultar ou ofuscar os símbolos pascais e usar a cor branca nas vestes e toalhas.

Nesse mês de Maria preparar um local com a imagem de Nossa Senhora, que pode ser trazida na procissão de entrada.



- A mesa da eucaristia é o lugar da convergência de toda a ação litúrgica. Assim, o altar não pode ser escondido por imensas toalhas, arranjos de flores e outros objetos, pois o altar é Cristo e é ele quem deve aparecer. Ele é o ator principal da liturgia.



A equipe de celebração procure acolher e saudar afetuosamente as pessoas que vão chegando para a celebração cerca de 20 a 15 minutos antes.



- Acolhida:

Cantar como mantra o refrão: “Onde reina o amor, fraterno amor / Onde reina o amor, Deus aí está”.



- Ato penitencial:

Pode continuar sendo feito por aspersão.



- Liturgia da Palavra:

O Evangelho pode ser cantado ou encenado.



- Abraço da paz:

Valorizar esse momento como expressão de comunhão e amor fraterno entre as pessoas presentes.

Cantar o Pai nosso de mãos dadas.



- Gesto concreto:

Convidar a comunidade a assumir um gesto concreto de amor e solidariedade com os irmãos da comunidade, como solicitado pelo Evangelho.



- Final:

Sendo o mês de Maria recomenda-se cantar a consagração a Nossa Senhora, ou rezar uma Ave-Maria com as mãos voltadas à imagem e cantar um hino mariano no final da celebração. Ou outras homenagens marianas conforme o costume da comunidade.



Sexto Domingo da Páscoa (8-9 Maio 2010)



1ª Leitura: Atos dos Apóstolos 15, 1-2. 22-29

Salmo 67 (66): Que as nações vos glorifiquem, ó Senhor, que todas as nações vos glorifiquem.

2ª Leitura: Apocalipse 21, 10-14. 22-23

Evangelho: João 14, 23-29 (O Espírito Santo vos recordará tudo o que eu vos tenho dito)





- Frases temáticas:

O Espírito Santo vos recordará tudo o que eu vos tenho dito

Enfrentamos corajosamente os novos desafios

Jesus está conosco pela Palavra e pelo Espírito

Deus será tudo em todos



- Espaço celebrativo:

Manter a cor branca nas vestes e ornamentos, tudo como nos Domingos anteriores.

É bom fazer um breve ensaio, antes da celebração, dos cantos e refrões do dia. Lembrando de deixar um breve tempo de silêncio para que a assembléia se prepare para a ação celebrativa.

A função da equipe de canto não é simplesmente cantar o que gosta, mas cantar o mistério da liturgia do domingo, “cantar a liturgia” e não “cantar na liturgia”. Os cantos devem estar em sintonia com o Tempo litúrgico, com a Palavra proclamada e com o mistério celebrado.



- Procissão de entrada:

Neste dia das mães pedir para que todas elas participem da procissão de entrada trazendo, alem da bíblia, da vela e das flores, algum símbolo ligado à realidade delas e à vida de mãe. Como uma boneca ou um bebê de verdade com mamadeira, chupeta, bolsa, etc.

Pode trazer na procissão de entrada a bandeira da paz e colocá-la próxima ao ambão da Palavra.



- Acolhida:

Nesta celebração é importante destacar o Rito da paz, por isso ele pode ser feito já no início do culto.



- Liturgia da Palavra:

A proclamação do Evangelho pode ser feita sem pressa, em tom meditativo e com algumas breves pausas.

Se não foi feito no início o abraço da paz pode ser feito agora após o Evangelho ou após a Homilia.



- Preces:

Diante da promessa de envio do Espírito Santo é importante a comunidade intensificar sua oração e seu pedido nesse sentido. A resposta pode ser: “Vinde, Espírito Santo!”, ou outra semelhante.



- Rito da paz:

Celebrado em cada liturgia esse rito atualiza a presença do Ressuscitado, o Príncipe da paz, todo Domingo na comunidade.



- Final:

Sendo o mês de Maria recomenda-se cantar a consagração a Nossa Senhora, ou rezar uma Ave-Maria com as mãos voltadas à imagem e cantar um hino mariano no final da celebração. Ou outras homenagens marianas conforme o costume da comunidade.



Solenidade da Ascensão do Senhor (15-16 Maio 2010)



1ª Leitura: Atos dos Apóstolos 1, 1-11

Salmo 47 (46): Por entre aclamações Deus se elevou, o Senhor subiu ao toque da trombeta.

2ª Leitura: Efésios 1, 17-23 (ou Hebreus 9, 24-28; 10, 19-23)

Evangelho: Lucas 24, 46-53 (Enquanto os abençoava, afastou-se deles e foi levado para o céu.)





- Frases temáticas:

Enquanto os abençoava, afastou-se deles e foi levado para o céu.

Jesus coloca sua missão em nossas mãos.

Subiu aos céus e está sentado à direita do Pai.

Por entre aclamações Deus se elevou, o Senhor subiu ao toque da trombeta

A ascensão de Cristo é nossa ascensão.

Jesus foi levado aos céus, à vista deles.

O Senhor subiu aos céus, aleluia!



- Espaço celebrativo:

Nesse mês de Maria preparar um local com a imagem de Nossa Senhora, que pode ser trazida na procissão de entrada.

Manter a cor branca nas vestes e ornamentos, as flores, o destaque ao Círio e a Pia Batismal, tudo como nos Domingos anteriores.

Cantar os cânticos próprios para essa solenidade. Ou outros que falem de missão e envio.



Evitar a correria de última hora. A equipe deve se preparar durante a semana refletindo os textos bíblicos e verificando quais são os gestos e ações a serem valorizados em cada celebração.



Hoje iniciamos a “Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos” a mesa da Palavra pode ser enfeitada com fitas coloridas e em cada fita colocar o nome das igrejas cristãs presentes na localidade. Em algum momento da celebração (Início, Homilia, Profissão de fé, Preces ou Pai-nosso) fazer uma motivação própria.



- Acolhida:

Como de costume acolher a todos os que chegam dando destaque à presença de visitantes e se houver pessoas de outras denominações religiosas pedir que se apresentem.



- Procissão de entrada:

Uma cruz com uma toalha branca sobre os braços com um cartaz: “O Senhor subiu aos céus, aleluia!”



- Liturgia da Palavra:

As leituras devem ser proclamadas com muita expressão e especial atenção ao Evangelho, por isso recomenda-se escolher os leitores com antecedência e não de última hora.

Cantar o salmo, salientando a resposta: “Por entre aclamações Deus se elevou, o Senhor subiu ao toque da trombeta”.



- Pai-nosso:

É a oração de todos os cristãos. Rezá-lo ou cantá-lo, de mãos dadas, em comunhão com todas as igrejas cristãs.



- Ritos finais:

Dar destaque a benção final como envio.

Motivar a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos na comunidade.



Pentecostes (22-23 Maio 2010)



1ª Leitura: Atos dos Apóstolos 2, 1-11

Salmo 104 (103): Enviai o vosso Espírito, Senhor, e da terra toda a face renovai.

2ª Leitura: I Coríntios 12, 3-7.12-13 (Há a sequência dessa leitura que pode ser cantada)

Evangelho: João 20, 19-23 (Como o Pai me enviou, também Eu vos envio: recebei o Espírito Santo.)





- Frases temáticas:

O Espírito Santo vos ensinará tudo.

Enviados para anunciar Cristo!

Todos ficaram cheios do Espírito Santo.

A paz esteja com vocês! Recebam o Espírito Santo.

O amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo seu Espírito que agora habita em nós.

Enviai o vosso Espírito, Senhor e renovai toda a face da terra!

Fomos batizados num único Espírito, para formarmos um único corpo.



- Observação:

Há várias sugestões de roteiros para a Vigília de Pentecostes que a equipe de liturgia poderá escolher a que melhor se adapte à realidade da comunidade.

Hoje, com esta celebração encerra-se o Tempo Pascal e inicia-se a segunda parte do Tempo Comum.



- Espaço celebrativo:

A cor litúrgica para o dia de hoje é o Vermelho.

Preparar um candelabro para colocar as sete velas representando os sete dons do Espírito Santo.

Espalhar pela Igreja sete cartazes, em formato de línguas de fogo, com os sete dons. E no centro a pomba branca representando o Espírito Santo.



Distribuir para toda a assembléia bandeirinhas vermelhas para serem agitadas no Hino de louvor, Resposta do Salmo e Aclamação ao Evangelho.



- Procissão de entrada:

Sete jovens podem entrar com sete velas acessas a serem colocadas no candelabro próximo a mesa do altar, ou eles podem entrar com os cartazes dos setes dons.

Onde for o costume trazer também a bandeira do divino.



- Ato penitencial:

Pode ser por aspersão lembrando o nosso batismo.



- Liturgia da Palavra:

Cantar o salmo e, se possível, a seqüência logo após a segunda leitura.

Nas comunidades onde houver pessoas que falam outros idiomas, convidá-las a repetir a expressão: “A paz esteja com vocês! Recebam o Espírito Santo”.



- Profissão de fé:

Pode ser feita na forma de pergunta e resposta como na Vigília Pascal. Pode ser feita também a renovação das promessas do batismo.



- Pai-nosso

Pode ser cantado e de mãos dadas.



- Ritos finais:

Abençoar o povo com a bênção solene para este dia.

Apagar solenemente o Círio Pascal.

Lembrar que vai recomeçar o Tempo Comum na liturgia.





TEMPO COMUM – SEGUNDA PARTE – ANO C



MÊS DE MARIA



Solenidade da Santíssima Trindade (29-30 Maio 2010)



1ª Leitura: Provérbios 8, 22-31

Salmo 8: Ó Senhor nosso Deus, como é grande vosso nome por todo o universo!

2ª Leitura: Romanos 5, 1-5

Evangelho: João 16, 12-15 (Tudo o que o Pai possui é meu. Quando vier o Espírito da Verdade, ele vos conduzirá.)





- Frases temáticas:

Gloria ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo!

A Deus, por Cristo, na caridade do Espírito.

O Pai se revela e se comunica por meio do Cristo, no Espírito.

Santíssima Trindade: a melhor comunidade!

A sabedoria de Deus é a alegria de amar os homens.



- Espaço celebrativo:

A cor litúrgica para o dia de hoje é o Branco.

Na entrada da Igreja um cartaz com a frase: “Ser comunidade com a Santíssima Trindade”, ou “Santíssima Trindade: a melhor comunidade!”.



- Procissão de entrada:

Entrar um cartaz com uma das frases sugeridas acima.

Poder ser feita com a participação das pessoas batizadas e crismadas recentemente.



- Ritos iniciais:

O Sinal da Cruz pode ser cantado.



- Ato penitencial:

Fomos batizados em nome da Santíssima Trindade, portanto esse rito pode ser feito por aspersão que recorda o nosso batismo.



- Liturgia da Palavra:

Em lugar do comentário das leituras o coral pode cantar suavemente um mantra ou refrão meditativo que ajude a criar um ambiente de escuta e atenção a Palavra que vai ser proclamada.



- Final:

Fazer o encerramento do mês de Maria. Recomenda-se cantar a consagração a Nossa Senhora, ou rezar uma Ave-Maria com as mãos voltadas à imagem e cantar um hino mariano no final da celebração. Ou outras homenagens marianas conforme o costume da comunidade.



Lembrar que a solenidade de Corpus Christi será na próxima quinta-feira.




- Observações finais:

Adaptar essas dicas à realidade da comunidade.

Tomar o cuidado para não sobrecarregar a celebração de símbolos.

O símbolo deve falar por si mesmo, não fazer longas explicações sobre os símbolos.



Referência:

PEREIRA, José Carlos. Liturgia: sugestões para dinamizar as celebrações. Petrópolis: Vozes, 2009.



Outras publicações recomendadas:

CNBB Guia litúrgico pastoral. Brasília: CNBB.

CNBB Roteiros homiléticos. Brasília: CNBB.

Deus conosco: Reflexões e sugestões litúrgicas. Aparecida: Santuário.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Autobiografia

Marcio Canteli Silva nasceu no dia 13 de fevereiro de 1984. Natural de Francisco Morato, filho de Everaldo Lopes e Maria de Fátima Canteli tendo uma irmã chamada Beatriz Canteli.

Foi catequista, vicentino e membro da equipe de liturgia na comunidade Santa Isabel da Paróquia Sagrado Coração de Jesus da qual é originário. Participando desde a infância em sua comunidade e realizando esses trabalhos na Igreja ouviu o chamado de Deus e procurou responde-lo ingressando, no dia 24 de fevereiro de 2005, no Seminário Propedêutico da diocese localizado, na época, no jardim Paturi em Bragança Paulista.

Realizou estagio pastoral no Santuário Virgem dos Pobres e Paróquia Santa Rita de Cássia em Caieiras no ano de 2006, Paróquia São Benedito em Bragança Paulista entre 2007- 2008 e em 2009-2010 na Paróquia N. Sra. do Perpétuo Socorro em Socorro.

Tendo como lema: “Ele deve crescer e eu diminuir” (Jo 3, 30) afirma estar muito feliz no seminário, pois, respondendo ao chamado de Deus a cada dia e se configurando ao Cristo Bom pastor, está mais próximo da sua missão de servir ao povo de Deus por meio do sacerdócio na diocese de Bragança Paulista.

Mensagem do Papa para o 47º Dia Mundial de Oração pelas Vocações

Tema: O testemunho suscita vocações.

Veneráveis Irmãos no Episcopado e no Sacerdócio,

Amados Irmãos e Irmãs!

O 47º Dia Mundial de Oração pelas Vocações, que será celebrado no IV Domingo de Páscoa – Domingo do «Bom Pastor» –, a 25 de Abril de 2010, oferece-me a oportunidade de propor à vossa reflexão um tema que quadra bem com o Ano Sacerdotal: O testemunho suscita vocações. De facto, a fecundidade da proposta vocacional depende primariamente da acção gratuita de Deus, mas é favorecida também – como o confirma a experiência pastoral – pela qualidade e riqueza do testemunho pessoal e comunitário de todos aqueles que já responderam ao chamamento do Senhor no ministério sacerdotal e na vida consagrada, pois o seu testemunho pode suscitar noutras pessoas o desejo de, por sua vez, corresponder com generosidade ao apelo de Cristo. Assim, este tema apresenta-se intimamente ligado com a vida e a missão dos sacerdotes e dos consagrados. Por isso, desejo convidar todos aqueles que o Senhor chamou para trabalhar na sua vinha a renovarem a sua fidelidade de resposta, sobretudo neste Ano Sacerdotal que proclamei por ocasião dos 150 anos de falecimento de São João Maria Vianney, o Cura d’Ars, modelo sempre actual de presbítero e pároco.

Já no Antigo Testamento os profetas tinham consciência de que eram chamados a testemunhar com a sua vida aquilo que anunciavam, prontos a enfrentar mesmo a incompreensão, a rejeição, a perseguição. A tarefa, que Deus lhes confiara, envolvia-os completamente, como um «fogo ardente» no coração impossível de conter (cf. Jr 20,9), e, por isso, estavam prontos a entregar ao Senhor não só a voz, mas todos os elementos da sua vida. Na plenitude dos tempos, será Jesus, o enviado do Pai (cf. Jo 5,36), que, através da sua missão, testemunha o amor de Deus por todos os homens sem distinção, com especial atenção pelos últimos, os pecadores, os marginalizados, os pobres. Jesus é a suprema Testemunha de Deus e da sua ânsia de que todos se salvem. Na aurora dos novos tempos, João Baptista, com uma vida gasta inteiramente para preparar o caminho a Cristo, testemunha que, se cumprem, no Filho de Maria de Nazaré, as promessas de Deus. Quando O vê chegar ao rio Jordão, onde estava a baptizar, João indica-O aos seus discípulos como «o cordeiro de Deus, aquele que tira o pecado do mundo» (Jo 1,29). O seu testemunho é tão fecundo que dois dos seus discípulos, «ouvindo o que ele tinha dito, seguiram Jesus» (Jo 1,37).

Também a vocação de Pedro, conforme no-la descreve o evangelista João, passa pelo testemunho de seu irmão André; este, após ter encontrado o Mestre e aceite o seu convite para permanecer com Ele, logo sente necessidade de comunicar a Pedro aquilo que descobriu «permanecendo» junto do Senhor: «“Encontrámos o Messias” (que quer dizer Cristo). E levou-o a Jesus» (Jo 1,41-42). O mesmo aconteceu com Natanael – Bartolomeu –, graças ao testemunho doutro discípulo, Filipe, que cheio de alegria lhe comunica a sua grande descoberta: «Acabámos de encontrar Aquele de quem escreveu Moisés na Lei e que os Profetas anunciaram: é Jesus, o filho de José, de Nazaré» (Jo 1,45). A iniciativa livre e gratuita de Deus cruza-se com a responsabilidade humana daqueles que acolhem o seu convite, e interpela-os para se tornarem, com o próprio testemunho, instrumentos do chamamento divino. O mesmo acontece, ainda hoje, na Igreja: Deus serve-se do testemunho de sacerdotes fiéis à sua missão, para suscitar novas vocações sacerdotais e religiosas para o serviço do seu Povo. Por esta razão, desejo destacar três aspectos da vida do presbítero, que considero essenciais para um testemunho sacerdotal eficaz.

Elemento fundamental e comprovado de toda a vocação ao sacerdócio e à vida consagrada é a amizade com Cristo. Jesus vivia em constante união com o Pai, e isto suscitava nos discípulos o desejo de viverem a mesma experiência, aprendendo d’Ele a comunhão e o diálogo incessante com Deus. Se o sacerdote é o «homem de Deus», que pertence a Deus e ajuda a conhecê-Lo e a amá-Lo, não pode deixar de cultivar uma profunda intimidade com Ele e permanecer no seu amor, reservando tempo para a escuta da sua Palavra. A oração é o primeiro testemunho que suscita vocações. Tal como o apóstolo André comunica ao irmão que conheceu o Mestre, assim também quem quiser ser discípulo e testemunha de Cristo deve tê-Lo «visto» pessoalmente, deve tê-Lo conhecido, deve ter aprendido a amá-Lo e a permanecer com Ele.

Outro aspecto da consagração sacerdotal e da vida religiosa é o dom total de si mesmo a Deus. Escreve o apóstolo João: «Nisto conhecemos o amor: Jesus deu a sua vida por nós, e nós devemos dar a vida pelos nossos irmãos» (1 Jo 3,16). Com estas palavras, os discípulos são convidados a entrar na mesma lógica de Jesus que, ao longo de toda a sua vida, cumpriu a vontade do Pai até à entrega suprema de Si mesmo na cruz. Manifesta-se aqui a misericórdia de Deus em toda a sua plenitude; amor misericordioso que derrotou as trevas do mal, do pecado e da morte. A figura de Jesus que, na Última Ceia, Se levanta da mesa, depõe o manto, pega numa toalha, ata-a à cintura e Se inclina a lavar os pés aos Apóstolos, exprime o sentido de serviço e doação que caracterizou toda a sua vida, por obediência à vontade do Pai (cf. Jo 13,3-15). No seguimento de Jesus, cada pessoa chamada a uma vida de especial consagração deve esforçar-se por testemunhar o dom total de si mesma a Deus. Daqui brota a capacidade para se dar depois àqueles que a Providência lhe confia no ministério pastoral, com dedicação plena, contínua e fiel, e com a alegria de fazer-se companheiro de viagem de muitos irmãos, a fim de que se abram ao encontro com Cristo e a sua Palavra se torne luz para o seu caminho. A história de cada vocação cruza-se quase sempre com o testemunho de um sacerdote que vive jubilosamente a doação de si mesmo aos irmãos por amor do Reino dos Céus. É que a presença e a palavra de um padre são capazes de despertar interrogações e de conduzir mesmo a decisões definitivas (cf. João Paulo II, Exort. ap. pós-sinodal Pastores dabo vobis, 39).

Um terceiro aspecto que, enfim, não pode deixar de caracterizar o sacerdote e a pessoa consagrada é viver a comunhão. Jesus indicou, como sinal distintivo de quem deseja ser seu discípulo, a profunda comunhão no amor: «É por isto que todos saberão que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros» (Jo 13,35). De modo particular, o sacerdote deve ser um homem de comunhão, aberto a todos, capaz de fazer caminhar unido todo o rebanho que a bondade do Senhor lhe confiou, ajudando a superar divisões, sanar lacerações, aplanar contrastes e incompreensões, perdoar as ofensas. Em Julho de 2005, no encontro com o Clero de Aosta, afirmei que os jovens, se virem os sacerdotes isolados e tristes, com certeza não se sentirão encorajados a seguir o seu exemplo. Levados a considerar que tal possa ser o futuro de um padre, vêem aumentar a sua hesitação. Torna-se importante, pois, realizar a comunhão de vida, que lhes mostre a beleza de ser sacerdote. Então, o jovem dirá: «Isto pode ser um futuro também para mim, assim pode-se viver» (Insegnamenti, vol. I/2005, 354). O Concílio Vaticano II, referindo-se ao testemunho capaz de suscitar vocações, destaca o exemplo de caridade e de fraterna cooperação que devem oferecer os sacerdotes (cf. Decreto Optatam totius, 2).

Apraz-me recordar o que escreveu o meu venerado predecessor João Paulo II: «A própria vida dos padres, a sua dedicação incondicional ao rebanho de Deus, o seu testemunho de amoroso serviço ao Senhor e à sua Igreja – testemunho assinalado pela opção da cruz acolhida na esperança e na alegria pascal –, a sua concórdia fraterna e o seu zelo pela evangelização do mundo são o primeiro e mais persuasivo factor de fecundidade vocacional» (Pastores dabo vobis, 41). Poder-se-ia afirmar que as vocações sacerdotais nascem do contacto com os sacerdotes, como se fossem uma espécie de património precioso comunicado com a palavra, o exemplo e a existência inteira.

Isto aplica-se também à vida consagrada. A própria existência dos religiosos e religiosas fala do amor de Cristo, quando O seguem com plena fidelidade ao Evangelho e assumem com alegria os seus critérios de discernimento e conduta. Tornam-se «sinais de contradição» para o mundo, cuja lógica frequentemente é inspirada pelo materialismo, o egoísmo e o individualismo. A sua fidelidade e a força do seu testemunho, porque se deixam conquistar por Deus renunciando a si mesmos, continuam a suscitar no ânimo de muitos jovens o desejo de, por sua vez, seguirem Cristo para sempre, de modo generoso e total. Imitar Cristo casto, pobre e obediente e identificar-se com Ele: eis o ideal da vida consagrada, testemunho do primado absoluto de Deus na vida e na história dos homens.

Fiel à sua vocação, cada presbítero, cada consagrado e cada consagrada transmite a alegria de servir Cristo, e convida todos os cristãos a responderem à vocação universal à santidade. Assim, para se promoverem as vocações específicas ao ministério sacerdotal e à vida consagrada, para se tornar mais forte e incisivo o anúncio vocacional, é indispensável o exemplo daqueles que já disseram o próprio «sim» a Deus e ao projecto de vida que Ele tem para cada um. O testemunho pessoal, feito de opções existenciais e concretas, há-de encorajar, por sua vez, os jovens a tomarem decisões empenhativas que envolvem o próprio futuro. Para ajudá-los, é necessária aquela arte do encontro e do diálogo capaz de os iluminar e acompanhar sobretudo através do exemplo de vida abraçada como vocação. Assim fez o Santo Cura d’Ars, que, no contacto permanente com os seus paroquianos, «ensinava sobretudo com o testemunho da vida. Pelo seu exemplo, os fiéis aprendiam a rezar» (Carta de Proclamação do Ano Sacerdotal, 16/06/2009).

Que este Dia Mundial possa oferecer, uma vez mais, preciosa ocasião para muitos jovens reflectirem sobre a própria vocação, abrindo-se a ela com simplicidade, confiança e plena disponibilidade. A Virgem Maria, Mãe da Igreja, guarde o mais pequenino gérmen de vocação no coração daqueles que o Senhor chama a segui-Lo mais de perto; faça com que se torne uma árvore frondosa, carregada de frutos para o bem da Igreja e de toda a humanidade. Por esta intenção rezo, enquanto concedo a todos a Bênção Apostólica.

Vaticano, 13 de Novembro de 2009.

BENEDICTUS PP. XVI

segunda-feira, 29 de março de 2010

Vivendo a Semana Santa

A Semana Santa é o grande retiro espiritual das comunidades eclesiais, convidando os cristãos à conversão e renovação de vida. Ela se inicia com o Domingo de Ramos e se estende até o Domingo da Páscoa. É a semana mais importante do ano litúrgico, quando se celebram de modo especial os mistérios da paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo.

DOMINGO DE RAMOS - A celebração desse dia lembra a entrada de Jesus em Jerusalém, aonde vai para completar sua missão, que culminará com a morte na cruz. Os evangelhos relatam que muitas pessoas homenagearam a Jesus, estendendo mantos pelo chão e aclamando-o com ramos de árvores. Por isso hoje os fiéis carregam ramos, recordando o acontecimento. Imitando o gesto do povo em Jerusalém, querem exprimir que Jesus é o único mestre e Senhor.

2ª A 4ª FEIRAS – Nestes dias, a Liturgia apresenta textos bíblicos que enfocam a missão redentora de Cristo. Nesses dias não há nenhuma celebração litúrgica especial, mas nas comunidades paroquiais, é costume realizarem procissões, vias-sacras, celebrações penitenciais e outras, procurando realçar o sentido da Semana.

Tríduo Pascal 

O ponto alto da Semana Santa é o Tríduo Pascal (ou Tríduo Sacro) que se inicia com a missa vespertina da Quinta-feira Santa e se conclui com a Vigília Pascal, no Sábado Santo. Os três dias formam uma só celebração, que resume todo o mistério pascal. Por isso, nas celebrações da quinta-feira à noite e da sexta-feira não se dá a bênção final; ela só será dada, solenemente, no final da Vigília Pascal.

QUINTA-FEIRA SANTA - Neste dia celebra-se a instituição da Eucaristia e do Sacerdócio ministerial. A Eucaristia é o sacramento do Corpo e Sangue de Cristo, que se oferece como alimento espiritual.

De manhã só há uma celebração, a Missa do Crisma que, na nossa diocese, é realizada na noite de quarta-feira, permitindo que mais pessoas possam participar.

Na quinta-feira à noite acontece a celebração solene da Missa, em que se recorda a instituição da Eucaristia e do Sacerdócio ministerial. Nessa missa realiza-se a cerimônia do lava-pés, em que o celebrante recorda o gesto de Cristo que lavou os pés dos seus apóstolos. Esse gesto procura transmitir a mensagem de que o cristão deve ser humilde e servidor.

Nessa celebração também se recorda o mandamento novo que Jesus deixou: “Eu vos dou um novo mandamento, que vos ameis uns aos outros assim como Eu vos amei.” Comungar o corpo e sangue de Cristo na Eucaristia implica a vivência do amor fraterno e do serviço. Essa é a lição da celebração.

SEXTA-FEIRA SANTA - A Igreja contempla o mistério do grande amor de Deus pelos homens. Ela se recolhe no silêncio, na oração e na escuta da palavra divina, procurando entender o significado profundo da morte do Senhor. Neste dia não há missa. À tarde acontece a Celebração da Paixão e Morte de Jesus, com a proclamação da Palavra, a oração universal, a adoração da cruz e a distribuição da Sagrada Comunhão.

Na primeira parte, são proclamados um texto do profeta Isaías sobre o Servo Sofredor, figura de Cristo, outro da Carta aos Hebreus que ressalta a fidelidade de Jesus ao projeto do Pai e o relato da paixão e morte de Cristo do evangelista João. São três textos muito ricos e que se completam, ressaltando a missão salvadora de Jesus Cristo.

O segundo momento é a Oração Universal, compreendendo diversas preces pela Igreja e pela humanidade. Aos pés do Redentor imolado, a Igreja faz as suas súplicas confiante. Depois segue-se o momento solene e profundo da apresentação da Cruz, convidando todos a adorarem o Salvador nela pregado: “Eis o lenho da Cruz, do qual pendeu a salvação do mundo. – Vinde adoremos”.

E o quarto momento é a comunhão. Todos revivem a morte do Senhor e querem receber seu corpo e sangue; é a proclamação da fé no Cristo que morreu, mas ressuscitou.

Nesse dia a Igreja pede o sacrifício do jejum e da abstinência de carne, como ato de homenagem e gratidão a Cristo, para ajudar-nos a viver mais intensamente esse mistério, e como gesto de solidariedade com tantos irmãos que não têm o necessário para viver.

Mas a Semana Santa não se encerra com a sexta-feira, mas no dia seguinte quando se celebra a vitória de Jesus. Só há sentido em celebrar a cruz quando se vive a certeza da ressurreição.

VIGÍLIA PASCAL - Sábado Santo é dia de “luto”, de silêncio e de oração. A Igreja permanece junto ao sepulcro, meditando no mistério da morte do Senhor e na expectativa de sua ressurreição. Durante o dia não há missa, batizado, casamento, nenhuma celebração.

À noite, a Igreja celebra a solene Vigília Pascal, a “mãe de todas as vigílias”, revivendo a ressurreição de Cristo, sal vitória sobre o pecado e a morte. A cerimônia é carregada de ricos simbolismos que nos lembram a ação de Deus, a luz e a vida nova que brotam da ressurreição de Cristo.
Fonte: site catequisar.com.br