sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Catequese de Bento XVI sobre a fé - 17 de outubro


Queridos irmãos e irmãs, Hoje vou apresentar o novo ciclo de catequese.
Com as catequeses deste Ano da Fé gostaríamos de percorrer um caminho para fortalecer ou reencontrar a alegria da fé, compreendendo que essa não é algo estranho, destacado da vida cotidiana, mas é a alma.
A fé exprimi-se como dom, se manifesta nas relações plenas de amor, compaixão, atenção e serviço desinteressado para com o outro. A fé cristã, operante na caridade e forte na esperança, não limita, mas humaniza a vida, de fato torna-a plenamente humana. A fé é acolher esta mensagem transformadora em nossa vida, é acolher a revelação de Deus, que nos faz conhecer quem Ele é, como age, quais são seus planos para nós. 
Eis então, a maravilha da fé: Deus, no seu amor, cria em nós - através da obra do Espírito Santo - as condições adequadas para que possamos reconhecer a sua Palavra. Deus mesmo, na sua vontade de se manifestar, de entrar em contato conosco, de estar presente em nossa história, nos permite ouvi-lo e acolhê-lo. 
Mas onde encontramos a fórmula essencial da fé? Onde encontramos a verdade que nos foi transmitida fielmente e que é luz para a nossa vida cotidiana? A resposta é simples: no Credo, na Profissão de Fé o Símbolo da fé.
Também hoje precisamos que o Credo seja conhecido melhor, compreendido e rezado. Sobretudo é importante que o Credo seja, por assim dizer, “reconhecido”. Conhecer, de fato, poderia ser uma operação apenas intelectual, enquanto “reconhecer” quer dizer a necessidade de descobrir a ligação profunda entre a verdade que professamos no Credo e a nossa existência cotidiana, para que estas verdades sejam verdadeiramente e concretamente – como sempre foi – luz para os passos do nosso viver, água que irriga o calor do nosso caminho, vida que vence certos desertos da vida contemporânea.  No Credo se engaja a vida moral do cristão, que nesse encontra o seu fundamento e a sua justificativa. 
Não é por acaso que o Beato João Paulo II quis que o Catecismo da Igreja Católica, norma segura para o ensinamento da fé e fonte certa para uma catequese renovada, fosse estabelecido no Credo. Tratou-se de confirmar e guardar este núcleo central da verdade da fé, tornando-o uma linguagem mais compreensível aos homens do nosso tempo, a nós. É um dever da Igreja transmitir a fé, comunicar o Evangelho, a fim de que a verdade cristã seja luz nas novas transformações culturais, e os cristãos sejam capazes de dar razões da esperança que portam (cfr 1 Pt3,14). 
O cristão muitas vezes não conhece nem sequer o núcleo central da própria fé católica, do Credo, de modo a deixar espaço a um certo sincretismo e relativismo religioso, sem clareza sobre a verdade de crer e da singularidade salvífica do cristianismo. Não está tão longe hoje o risco de construir, por assim dizer, uma religião “faça você mesmo”. Devemos, em vez disso, voltar para Deus, ao Deus de Jesus Cristo, devemos redescobrir a mensagem do Evangelho, fazê-lo entrar de modo mais profundo nas nossas consciências e na vida cotidiana. 
Nas catequeses deste Ano da Fé gostaria de oferecer uma ajuda para percorrer este caminho, para retomar e aprofundar a verdade central da fé em Deus, no homem, na Igreja, em toda a realidade social e cósmica, meditando e refletindo sobre as afirmações do Credo. E gostaria que ficasse claro que este conteúdo ou verdade da fé (fides quae) se conecta diretamente às nossas vidas; pede uma conversão da existência, que dá vida a um novo modo de crer em Deus (fides qua). Conhecer Deus, encontrá-Lo, aprofundar o conhecimento de sua face põe em jogo a nossa vida, porque Ele entra nos dinamismos profundos do ser humano.
Possa o caminho que iremos percorrer neste ano fazer-nos crescer todos na fé e no amor a Cristo, para que aprendamos a viver, nas escolhas e nas ações cotidianas, a vida boa e bela do Evangelho. Obrigado.
Catequese do dia 17 de outubro de 2012 – fonte: Zenit

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Fé: Dom de Deus e resposta do ser humano



A fé é um grande dom de Deus, necessário para a nossa salvação, e a resposta do homem à revelação. Pela fé podemos conhecer muitas coisas sobre Deus. Sabemos com toda certeza que Deus existe porque - mediante as coisas criadas - pode-se chegar à conclusão sobre a Sua existência.
A fé é uma virtude sobrenatural pela qual cremos nas verdades que foram reveladas. É, pois, um assentimento razoável, livre e sobrenatural, da inteligência e da vontade, à Revelação divina. Pela fé cremos em Deus e em tudo o que Ele nos revelou.
A fé é um presente de Deus. Crer é um ato do homem, mas a fé é, sobretudo, um dom sobrenatural, um presente muito grande que Deus nos faz no momento do batismo.
Crer é uma coisa racional. Às vezes se explica a fé dizendo que é "acreditar naquilo que não se vê". Crer é uma coisa racional, porque é Deus quem revela, e Deus não pode enganar-Se nem enganar-nos.
Quando rezamos o credo, umas vezes dizemos: creio em Deus, no singular, porque a fé é um ato da pessoa que aceita livremente a autoridade de Deus que revela; em outras ocasiões dizemos: cremos em Deus - no plural - para significar que a fé, nós a recebemos, a professamos e a vivemos no âmbito comunitário da Igreja de Jesus Cristo.
A Igreja é um só Corpo formado por todos aqueles que crêem. Assim, a Igreja é como a Mãe de todos os fiéis, como diz São Cipriano ao relacionar a fé em Deus com o papel da Igreja: "Ninguém pode ter a Deus por Pai se não tem a Igreja como Mãe".
A fé é necessária para a salvação, pois é o mesmo Jesus Cristo quem o afirma: "o que crer e for batizado, se salvará; mas o que não crer, será condenado". (Marcos 16,16).
O Credo ou a oração do Creio é o resumo das verdades que devemos acreditar. Desde o princípio os cristãos dispuseram de Símbolos ou Fórmulas de fé, que resumiam o ensinamento da Revelação divina. Existem várias formulações das verdades da fé, mas ocupam um lugar muito particular na vida da Igreja o Símbolo dos Apóstolos e o Símbolo de Nicéia-Constantinopla. Quando recitamos o Credo, estamos fazendo um ato de fé nas verdades fundamentais que Deus nos revelou.
Deus nos deu um grande presente que é a fé, e temos de saber agradecer fazendo com os nossos lábios e com o nosso coração muitos atos de fé e assumindo os propósitos de: Aprender bem o Credo (os dois Símbolos); Recitar sempre o Credo com devoção, não só na Missa e Rezar pelos que não tem o dom da Fé.

Fonte: Arquidiocese de Campinas – Fichas de estudo sobre o Ano da Fé

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Porque acendemos velas?




O costume de acender velas tem origem nas prescrições do Antigo Testamento: «O Senhor disse a Moisés: 'Ordena aos israelitas que te tragam óleo puro de olivas esmagadas para manter, continuamente acesas as lâmpadas do candelabro. Disporás as lâmpadas no candelabro de ouro puro para que queimem continuamente diante do Senhor'» (Lev 24, 1-4).
A vela acesa, enquanto rezamos, tem um significado muito especial. A idéia básica da Luz como oposição às trevas está nas suas raízes.
Acender velas nas igrejas é, portanto, uma tradição muito antiga. Claramente, a prática individual de acender a vela quando entramos na igreja, é um meio poderoso de unir a nossa oração individual com a oração da Igreja e com Cristo, a Luz do mundo. Mas atenção: as velas não devem substituir nossas orações nem devemos esperar efeitos mágicos de seu uso. Mas, como expressão de nossa presença diante do Altíssimo, a suplicar a luz que ilumina as trevas de nossos pecados fazendo-nos deles tomar consciência para uma contínua conversão a que somos todos chamados.
Durante a perseguição do comunismo na Ucrânia, introduziu-se, pouco a pouco, o costume de pedir às pessoas que iam à igreja, que acendessem velas por si, impedidos por alguma razão de fazê-lo, de modo a significar sua presença espiritual na igreja.

SÍMBOLO DE CONSUMAÇÃO
Deus é nosso Criador e nós, suas criaturas; quer dizer que tudo o que somos e tudo o que temos nos foi dado de graça por Deus. Por conseguinte, seu poder sobre nós é absoluto e seus direitos ilimitados. Pode até exigir a nossa própria vida em sacrifício.
Os povos pagãos reconheciam esse direito a seus deuses. Por isso ofereciam-lhe sacrifícios humanos (crianças, geralmente, por causa de sua inocência), para acalmar a sua ira ou conseguir o que desejavam.
Que relação pode haver entre um sacrifício e uma vela acesa? A vela acesa substitui diante de Deus a pessoa que a acende: Fica se consumindo, como se fosse um holocausto oferecido a Deus. O holocausto era, na Antiguidade e na lei mosaica, o sacrifício mais perfeito, porque por ele a vítima era oferecida a Deus e queimada por inteiro em reconhecimento a seu poder e direito absolutos sobre quem a oferecia. A vela acesa é um holocausto em miniatura. A pessoa compra a vela que passa a lhe pertencer, a ser sua. Acende-a para ser consumida em seu lugar.
Uma vela acesa a Deus simboliza, portanto, a adoração e a entrega total de quem a acende ao Deus Todo Poderoso, Senhor e Criador de todos os seres. Uma vela acesa a um santo tem o mesmo simbolismo, só que este sacrifício é oferecido a Deus por intermédio deste ou daquele santo.
É claro que está longe de ter o mesmo valor do sacrifício eucarístico, cujo valor é infinito, visto que por ele é o próprio Homem-Deus que se oferece a seu Pai. Mas nem por isso deve ser desprezado ou abolido.
Deve-se, sim, evitar a má interpretação e o exagero, isto é, evitar dar-lhe maior valor do que ele tem. Vela acesa é, pois, símbolo de consumação.

SÍMBOLO DE CRISTO, LUZ DO MUNDO
O profeta Simeão falou da vinda de Cristo como «Luz para revelação dos gentios». Simeão refletia consigo mesmo a profecia do profeta Isaías sobre a vinda do Messias: «O povo que andava nas trevas viu uma Grande Luz; sobre aqueles que habitavam uma região tenebrosa resplandeceu uma Luz» (Is 9,1).
Esta profecia cumpriu-se no Novo Testamento, quando a Virgem Maria apresentou seu filho Jesus no templo de Jerusalém. (Lc. 2, 22-32:). Este acontecimento comemora-se com a Festa da Apresentação do Senhor no templo, no dia 02 de fevereiro. Nesta festa, faz-se benção das velas que são usadas nas orações particulares durante todo ano.
Também Jesus identificou-se a si mesmo com estas palavras: «Eu Sou a LUZ do mundo, aquele que me segue não andará nas trevas, mas terá a Luz da Vida» (Jo 8,12).

A VELA NA LITURGIA
Em qualquer cerimônia litúrgica, em especial na "Divina Liturgia", acendem-se velas no altar para simbolizar de um lado a consumação da criatura diante do Criador, o sacrifício de Cristo em substituição à humanidade; e de outro lado, porque é Cristo que está se sacrificando, ele que é a «Luz do mundo».
A exemplo de seu fundador, que usou coisas materiais (pão, vinho, água, óleo) para significar coisas imateriais e até para transformá-las em seu corpo e sangue, a Igreja usa também o material para esse fim (velas, incenso, ícones, etc.); nossa natureza, que é um misto de matéria e de espírito, o requer. Não sendo o "homem nem anjo nem simples animal" só pode alcançar o espiritual e o sobrenatural por intermédio do sensível e do natural. Sejamos humildes e aceitemos nossa natureza como ela é.

A VELA DO BATISMO
Esse simbolismo, encontramo-lo também no sacramento do batismo, chamado também sacramento da iluminação. Depois de batizar a criança, que passa, assim, das trevas do pecado para a luz da graça, o sacerdote manda, acender as velas que os presentes seguram na mão e proclama: «Bendito seja Deus que ilumina e santifica todo homem que vem a este mundo».
O gesto de acender a vela no círio pascal simboliza a união do batizado com Jesus Cristo. Significa que quem recebe o batismo passa a receber a vida nova de Deus como uma vela recebe “vida” a ser acesa em outra. A vela do batismo quer dizer a quem é batizado que Jesus é a luz da sua vida. Procure andar nessa luz e será feliz.
A vela é um exemplo claro do que significa ser cristão. Ela não vive por si mesma. Sua tarefa é gastar-se, consumir-se até o fim. Nada sobra, nem o pavio. Assim é o cristão que vence o egoísmo, o individualismo e as trevas que o mundo apresenta, para consumir-se fazendo o bem.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

A Oração do Senhor


Da Carta a Proba, de Santo Agostinho, bispo

Temos necessidade de palavras para incitar-nos e ponderarmos o  que pediremos, e não com a intenção de dá-lo a saber ao Senhor ou a comovê-lo.

Quando, pois, dizemos: Santificado seja o teu nome, exortamo-nos a desejar que seu nome, imutavelmente santo, seja também considerado santo pelos homens, isto é, não desprezado. O que é de proveito para os homens, não para Deus.

E ao dizermos: Venha teu reino que, queiramos ou não, virá sem falta, acendemos o desejo deste reino; que venha para nós e nele mereçamos reinar.

Ao dizermos: Faça-se a tua vontade assim na terra como no céu, pedimos-lhe conceder-nos esta obediência de sorte que se faça em nós sua vontade do mesmo modo como é feita no céu por seus anjos.

Dizemos: O pão nosso de cada dia dá-nos hoje. Pela palavra hoje se entende este nosso tempo. Ou, com a menção da parte principal,indicando o todo pela palavra pão, pedimos aquilo que nos basta. O sacramento dos fiéis, necessário agora, não, porém, para a felicidade deste tempo, mas para alcançarmos a felicidade eterna.

Dizendo: Perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos a nossos devedorestomamos consciência do que pedimos e do que temos de fazer para merecer obtê-lo.
Ao dizer: Não nos leves à tentação, advertimo-nos a pedir que não aconteça que, privados de seu auxílio em alguma tentação, iludidos, consintamos nela, ou cedamos perturbados.

Dizer: Livra-nos do mal nos leva a pensar que ainda não estamos naquele Bem em que não padeceremos de mal algum. E este último pedido da oração dominical é tão amplo, que o cristão em qualquer tribulação em que se veja, por ele pode gemer, nele derramar lágrimas, daí começar, nele demorar-se, nele terminar a oração. É preciso guardar em nossa memória, por meio destas palavras, as realidades mesmas.

Pois quaisquer outras palavras que dissermos – tanto as formadas pelo afeto que as precede e esclarece, quanto as que o seguem e crescem pela atenção dele – não dirão nada que não se encontre nesta oração dominical, se orarmos como convém. Quem disser algo que não possa ser contido nesta prece evangélica, sua oração, embora não ilícita, é carnal; contudo não sei como não ser ilícita, uma vez que somente de modo espiritual devem orar os renascidos do Espírito.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

No coração da Igreja serei o amor



A caridade deu-me o eixo de minha vocação. 

Compreendi que a Igreja tem um corpo formado de vários membros e neste corpo não pode faltar o membro necessário e o mais nobre: entendi que a Igreja tem um coração e este coração está inflamado de amor. 

Compreendi que os membros da Igreja são impelidos a agir por um único amor, de forma que, extinto este, os apóstolos não mais anunciariam o Evangelho, os mártires não mais derramariam o sangue. 

Percebi e reconheci que o amor encerra em si todas as vocações, que o amor é tudo, abraça todos os tempos e lugares, numa palavra, o amor é eterno. 

Então, delirante de alegria, exclamei: Ó Jesus, meu amor, encontrei afinal minha vocação:
minha vocação é o amor. 

Sim, encontrei o meu lugar na Igreja, tu me deste este lugar, meu Deus. 

No coração da Igreja, minha mãe, eu serei o amor e desse modo serei tudo, e meu desejo se realizará.
Da Autobiografia de Santa Teresa do Menino Jesus,

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Leigos são co-responsáveis na Igreja



Trechos da Mensagem do Papa Bento XVI à 6ª Assembleia Ordinária do Foro Internacional da Ação Católica – Romênia - Setembro de 2012

A co-responsabilidade exige uma mudança de mentalidade relativa, em particular, ao papel dos leigos na Igreja, que devem ser considerados não como «colaboradores» do clero, mas como pessoas realmente «co-responsáveis» do ser e do agir da Igreja. Por conseguinte, é importante que se consolide um laicado maduro e comprometido, capaz de oferecer a sua contribuição específica para a missão eclesial, no respeito pelos ministérios e pelas tarefas que cada um desempenha na vida da Igreja e sempre em comunhão cordial com os Bispos.

A este propósito, a Constituição dogmática Lumen Gentium qualifica o estilo das relações entre leigos e Pastores, com o adjetivo «familiar»: «Muitos bens se devem esperar destas relações confiantes entre leigos e pastores: é assim que se fortalece nos leigos o sentido da própria responsabilidade, que se fomenta o seu empenho e mais facilmente se associam as suas energias à obra dos pastores. Estes, por sua vez, ajudados pela experiência dos leigos, tanto nas realidades espirituais como nas temporais, julgarão com mais clareza e exatidão, a fim de que a Igreja inteira, com a energia de todos os seus membros, cumpra mais eficazmente a sua missão para a vida do mundo» (n. 37).

Estimados amigos, é importante aprofundar e viver este espírito de comunhão profunda na Igreja, característica dos primórdios da Comunidade cristã, como testemunha o livro dos Atos dos Apóstolos: «A multidão de quantos haviam abraçado a fé tinha um só coração e uma só alma» (4, 32). Senti como vosso compromisso no cumprimento da missão da Igreja: com a oração, com o estudo, com a participação concreta na vida eclesial e com um olhar atento e positivo ao mundo, na busca contínua dos sinais dos tempos. Não vos canseis de aperfeiçoar cada vez mais, com um compromisso formativo sério e quotidiano, os aspectos da vossa vocação peculiar de fiéis leigos, chamados a ser testemunhas corajosas e credíveis em todos os âmbitos da sociedade, a fim de que o Evangelho seja luz que infunde esperança nas situações problemáticas, de dificuldade e de obscuridade que os homens de hoje encontram com freqüência no caminho da vida.

Orientar para o encontro com Cristo, anunciando a sua Mensagem de salvação com linguagens e modos compreensíveis no nosso tempo, caracterizado por processos sociais e culturais em rápida transformação, é o grande desafio da nova evangelização. Encorajo-vos a continuar com generosidade o vosso serviço à Igreja, vivendo plenamente o vosso carisma, que tem como característica fundamental a assunção da finalidade apostólica da Igreja na sua globalidade, em equilíbrio fecundo entre Igreja universal e Igreja local, e em espírito de íntima união com o Sucessor de Pedro e de co-responsabilidade diligente com os próprios Pastores (cf. Concílio Ecuménico Vaticano II, Decreto sobre o apostolado dos leigos Apostolicam actuositatem, 20).

Nesta fase da história, à luz do Magistério social da Igreja, trabalhai inclusive para serdes cada vez mais um laboratório de «globalização da solidariedade e da caridade», para crescerdes na co-responsabilidade com toda a Igreja e oferecerdes um futuro de esperança à humanidade, tendo também a coragem de formular propostas exigentes.

Hoje sois chamados a renovar o compromisso de percorrer o caminho da santidade, mantendo uma vida intensa de oração, favorecendo e respeitando percursos pessoais de fé e valorizando as riquezas de cada um, com o acompanhamento dos sacerdotes assistentes e de responsáveis capazes de educar para a co-responsabilidade eclesial e social.

A vossa vida seja «transparente», guiada pelo Evangelho e iluminada pelo encontro com Cristo, amado e seguido sem temor. Assumi e compartilhai as opções pastorais das dioceses e das paróquias, privilegiando ocasiões de encontro e de colaboração sincera com os demais componentes da comunidade eclesial, criando relações de estima e de comunhão com os sacerdotes, para uma comunidade viva, ministerial e missionária.

Cultivai relacionamentos pessoais autênticos com todos, a começar pela família, e oferecei a vossa disponibilidade à participação em todos os níveis da vida social, cultural e política, tendo continuamente em vista o bem comum.
Grifo nossoMarcio Canteli

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Orientações para se fazer uma boa leitura na Missa


     
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O ministério de Leitor é um dos mais importantes na celebração eucarística. Antes de tudo, é bom, lembrar que é um ministério, isto é, um serviço à Igreja. Ao proclamar a Palavra de Deus, você não é um simples repetidor de palavras, mas é transmissor de uma mensagem de vida. Você torna-se um instrumento que Deus usa para comunicar-se com as pessoas que estão ali, celebrando. Você empresta sua boca, voz e todo o seu ser para que a mensagem de Deus possa chegar àquelas pessoas. Quando você diz “Palavra do Senhor”. A leitura será tanto mais bem feita quanto melhor você deixar Deus falar por você.
           
Procure tratar com muito respeito o livro santo da Palavra de Deus e tê-lo com fé e alegria. Você é um verdadeiro profeta e evangelizador.

            Nervos – Mais ou menos todo mundo tem. O que fazer? Prepare bem, respire antes de começar, encoste a mão na estante para não tremer. O nervosismo só desaparece com o tempo. Mas perder o nervo ainda não quer dizer que a leitura melhora. Se você entrar em pânico, respire devagar e fundo. “Calma e caldo de galinha não fazem mal a ninguém”.

            Ler o texto antes – Leia antes o texto em voz alta e várias vezes, ouvindo a própria voz. Assim, você entenderá bem o seu sentido e poderá dar a devida entonação a cada frase. Saber com antecedência quais deve ressaltar, onde estão os pontos, as vírgulas, em quais palavras poderá equivocar-se. Eventualmente, marque intervalos, respiração, palavras difíceis, acentos... A única maneira de aprender a ler bem é ensaiar, de preferência ouvindo a si mesmo num gravador. Você deve entender o que está lendo. Se nem você entender... e o povo, percebe!.

            Convicção – O fundamental para uma boa leitura é a convicção. O leitor precisa passar a convicção de que acredita naquilo que está lendo. Para isso, ele precisa rezar o texto antes. Se quiser, faça antes esta oração: “Senhor, tome conta de mim, para que eu seja um instrumento seu na transmissão de sua Palavra viva. Nossa Senhora Aparecida, fique ao meu lado. Amém”.
            Ao aproximar-se do ambão – Faça-o com respeito e calma, caminhando lentamente e sem chamar a atenção para si. Se passar pela frente do altar, faça reverência a ele. É importante a maneira como você se veste para esse ministério. Faça tudo com humildade. Você não vai lá para se projetar.

            Postura digna – Quando você está diante do ambão, tome cuidado com a posição do corpo. Não se trata de ficar rígido como uma estátua, mas também você não deve ler, por exemplo, com a mão no bolso. Se você faz gestos fora, diferente, vai distrair a assembléia. É o que a gente chama de “ruído” litúrgico. Evite coçar o nariz. Se o pé está doendo, deixe doer. Se não houver ambão, escolha um lugar bem visível. Não se esconda.

            Observe a acústica - Dependendo da acústica da igreja, o som ressoa muito alto e confuso. Faz eco.  Para que todos entendam, leia devagar e pausadamente.

            O bom uso do microfone – Logo ao chegar, verifique com calma se seu microfone está ligado (a chavinha deve estar para cima). Segure o microfone uns cinco centímetros abaixo da boca. Não na frente da boca, para não sair o ruído do sopro e não encostar o microfone na boca. Regule o microfone antes da celebração.  Nunca bata nem sopre no microfone para experimentar. Use somente a voz para testar. Se o microfone parar de funcionar, continue normalmente a leitura, apenas fale mais alto.

            Leia com boa velocidade – Não leia rápido demais. Se a sua dicção for diferente, será ainda mais grave, já que dificilmente alguém conseguirá entendê-lo. Também não leia muito lentamente, com pausas prolongadas, para não entediar os ouvintes. O principal defeito dos leitores é de ler muito depressa. Se pronunciarmos bem, a pessoa pode entender tudo. Ao chegar ao ambão, respire bem antes de começar a ler, contemple a assembléia e a acolha com o olhar e com um suave sorriso.

            Pronuncie bem as palavras – Pronuncie completamente todas as palavras. Principalmente não omita a pronúncia dos “s” e “r” finais e dos “i” intermediários. Por exemplo: fale primeiro, janeiro, terceiro, precisar, trazer, levamos, e não janero, tercero, precisa, traze, levamo... Pronunciando todos os sons corretamente, a mensagem será melhor compreendida pelos ouvintes e haverá maior valorização da imagem de quem lê.

            Leia com boa intensidade – Se ler muito baixo, as pessoas que estiverem distantes não entenderão as palavras e deixarão de prestar atenção. Também não deverá ler muito alto porque, além de se cansar rapidamente, poderá irritar os ouvintes. Leia numa altura adequada para cada ambiente ou serviço de som. Nunca deixe, entretanto, de ler com entusiasmo e vibração. Se não demonstrar interesse por aquilo que transmite, não conseguirá também interessar os ouvintes.

            Leia com bom ritmo – Alterne a altura e a velocidade da leitura para construir um ritmo agradável de comunicação. Quem lê com velocidade e altura constantes acaba por desinteressar os ouvintes.

            Expressividade – Colocar expressão e sentimento na leitura. Observe que o tom de voz é diferente quando se está narrando alguma coisa e quando se está pronunciando a palavra de alguém.  Por exemplo, ao ler Lc 10, 38-42, a assembléia deve sentir a afobação de Marta e a serenidade de Jesus. Leia de acordo com o tipo de texto: poesia, comentário, história, oração, salmo... A leitura deve ter ritmo! Mais que ler, procure proclamar a Palavra de Deus.

            Olhar para o povo – Os olhos não devem estar o tempo todo fixos no livro, mas de vez em quando, levantá-los e dirigi-los com tranqüilidade aos que o escutam. Isso prende a atenção dos ouvintes e ajuda-os a destacar as frases mais importantes. Olhar os ouvintes em uma frase importante fá-los penetrar mais. Além disso, ajuda o clima da leitura, faça uma pausa, fite as pessoas para então dizer: “Palavra do Senhor”. E não saia do ambão antes da resposta do povo.

            O começo da leitura – Você começa dizendo: “Leitura dos Atos dos Apóstolos”. Não precisa dizer Capitulo e Versículos e nem ler a epígrafe. 


LEITURA NA LITURGIA

1.      O Leitor é o porta-voz de Deus e ministro da Igreja;

2.       Leitor integra uma equipe de Celebração e “mastiga” a Palavra;

3.      Ler é para si, em silêncio e proclamar é para os outros;

4.      O Leitor personaliza o texto e proclama a Palavra na sua interpretação;

5.      Evitar proclamação teatral (falsa), impessoal e monótona;

6.      Ler olhando para a assembléia, com ritmo, expressão e ênfase;

7.      Tenha o mínimo de técnica, dicção, articulação, pausa e ritmo.
  

DICAS

DICÇÃO: Pronunciar com clareza e precisão.

ARTICULAÇÃO: Pronúncia nítida da silaba, consoantes e vogais.

ACENTUAÇÃO: Levantar ou abaixar a voz para dar maior sentido à palavra ou frase.

ENTONAÇÃO: Subindo ou descendo para dar ênfase à idéia.

PAUSA: É o intervalo de uma palavra à outra para dar sentido ou para respirar, conforme a acentuação gráfica.

RITMO: É a velocidade com que se lê. Cria interesse, chama a atenção ou dispersa os ouvintes.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

O Ano Litúrgico

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É a celebração de toda a vida de Jesus Cristo ao longo de um ano. A cada ano revivemos as etapas mais importantes da vida de Nosso Senhor, desde a Encarnação e Nascimento até a Ascensão e Pentecostes. Dizia o Papa Paulo VI “O Ano Litúrgico não é apenas uma recordação das ações de Jesus ou lembrança de ações passadas, mas sua celebração tem força e eficácia para alimentar a vida cristã”. Ou seja, os através do Ano Litúrgico fazemos a experiência de se configurar ao Senhor e dele aprendemos a viver.
A Igreja estabeleceu uma seqüência de leituras bíblicas que se repetem a cada três anos nos domingos. No Ano A, lê-se o Evangelho de são Mateus, no Ano B o de Marcos, no Ano C o de são Lucas e nas festas e solenidades o Evangelho de são João.
Para os dias da semana o Evangelho é o mesmo todo ano. A leitura e o salmo seguem um ciclo bienal dividido entre ano par e ano impar. Para as festas e algumas memórias dos santos temos leituras próprias indicadas no Lecionário Santoral.
Há uma hierarquia nas comemorações da Igreja. As mais importantes são as solenidades, como Páscoa, Natal, Pentecostes, etc. Abaixo vêm as festas, como Apresentação do Senhor, Apóstolos, Transfiguração, etc. A memória é a recordação de um ou vários santos e santas em dias de semana. Há as memórias obrigatórias, como Santos Anjos, Santo Agostinho, São Francisco, etc. E as memórias facultativas como Santa Ângela, São Luis, etc. A cada ano a CNBB publica o Diretório Litúrgico com todas essas indicações para cada dia.
Há dois modos de se perceber a organização do Ano Litúrgico: por tempos e por ciclos.
O Ciclo do Natal, tendo como centro o nascimento de Jesus, o Advento como preparação e o seu término com o Batismo do Senhor.
O Ciclo Pascal, tendo como centro o Tríduo Pascal, a Quaresma como preparação e o Tempo Pascal como prolongamento.
E o Tempo Comum, período mais longo do Ano litúrgico, com 33 ou 34 semanas.

Ciclo do Natal: Advento, Natal, Oitava, Epifania, Batismo do Senhor.
Sendo celebração da vida de nosso Senhor ao longo de um ano, é lógico começar pela preparação ao seu nascimento. Por isso o 1º domingo do Advento marca o início do Ano Litúrgico.
- Advento
A palavra Advento vem do latim Adventus e significa chagada, vinda. No século IV já se celebrava o Advento como preparação para o Natal pelo fim do século VII o Advento começou a ser identificado como preparação para a segunda vinda de Cristo. Com a reforma litúrgica do Concilio Vaticano II, o Advento passou a ser celebrado nos seus dois aspectos: a vinda definitiva do Senhor e a preparação para o Natal, mantendo a tradição das 4 semanas.
A espiritualidade do Advento deve ser buscada e vivenciada a partir das palavras e gestos dos grandes personagens bíblicos desse tempo, como os profetas, sobretudo Isaías, que anunciaram a vinda do Messias, João Batista que o mostrou ao mundo e Maria que o ofereceu. Não se trata de uma espiritualidade passiva ou fechada dentro da pessoa, ao contrario, ela se derrama para os outros. Maria, como serva do Senhor, dá-nos o exemplo.
Não se canta o Glória, por ser um hino de louvor. O Roxo pede mudanças profundas em preparação para a vinda do Senhor. No 3º Domingo pode-se usar o Róseo significando a alegria pela proximidade do Natal. A antífona de entrada é um convite à alegria: “Alegrai-vos sempre no Senhor. O Senhor está perto!”.
O Advento se apresenta como um tempo de piedosa e alegre expectativa. Um dos muitos símbolos do Natal é a coroa do Advento. Silenciosamente ela expressa a esperança e convida à alegre vigilância. Na coroa do advento são colocadas quatro velas referentes a cada domingo que antecede o Natal. A luz vai aumentando à medida que se aproxima o Natal, festa da luz que é Cristo, quando a luz da salvação brilha para toda humanidade.

- Natal
A solenidade do Natal é a comemoração do nascimento de Jesus Cristo. É o dia em que recebemos o maior presente: Deus dando-se a si próprio. Dia em que a Palavra se fez homem e habitou entre nós (João 1, 14).
Na noite de Natal, o clima de expectativa dá lugar a uma alegria transbordante manifestada com o canto do Glória, quando misturamos nossa voz à voz dos anjos e de todo o universo para louvar a Deus que veio habitar entre nós. As palavras iniciais desse Hino são tiradas do louvor cantado pelos anjos na noite de Natal.
Não se sabe ao certo o dia em que Jesus nasceu. A festa do Natal nasceu a partir da festa pagã do Sol invencível celebrada na Roma antiga. No hemisfério norte o inverno tem poucas horas de sol. A partir de 25 de dezembro o sol vai conquistando mais tempo de luz a cada dia. Os cristãos começaram a celebrar o nascimento do Senhor nesse dia, pois para eles Jesus é o Sol que vence as trevas. “Luz para iluminar as nações” (Lc 2, 32).
A cor litúrgica para o Natal é o Branco, símbolo da paz e da vitória.
A ceia de Natal é uma boa ocasião para reunir a família e viver juntos o espírito natalino, que é paz, harmonia e fraternidade.
Diz uma antiga lenda que um galo foi o primeiro a presenciar e anunciar com seu canto rasgando a noite o nascimento de Jesus. Essa lenda surgiu em Roma no século V e a partir disso a missa da noite de Natal passou a ser chamada de Missa do Galo. Em alguns lugares ela é ainda celebrada à meia-noite.

- Oitava do Natal
A oitava são 8 dias formando um só dia. Ou seja, a oitava do Natal recorda que, até o oitavo dia, é Natal. As principais festas judaicas duravam oito dias. As duas festas litúrgicas que contêm oitavas são o Natal e a Páscoa. A oitava do Natal tem as seguintes comemorações:     Dia 26 festa de Santo Estevão, Dia 27 São João evangelista, Dia 28 festa dos santos inocentes; Dia 1 de janeiro (8º dia) solenidade de Santa Maria, mãe de Deus. No domingo dentro da oitava se celebra a festa da Sagrada Família, se não houver domingo celebra-se no dia 30.

- Epifania
Epifania vem do grego e significa manifestação. É a solenidade da “manifestação do Senhor” aos pagãos ou a comemoração do encontro do Salvador com os não-judeus. Celebrada no dia 6 de janeiro e transferida para o 2º domingo depois do Natal essa festa é popularmente conhecida como Dia dos Santos Reis. Os magos representam todos os que não são judeus. Acolhendo-os e manifestando-se a eles Jesus mostra que veio para todos, sem exclusões.

- Batismo do Senhor
Encerrando o ciclo do Natal a festa do Batismo do Senhor celebra-se no domingo após a Epifania, se não houver domingo, na segunda-feira. O Batismo de Jesus aponta para a sua missão. É o momento de recordarmos o nosso batismo. Nele fomos adotados como filhos de Deus e recebemos o Espírito para realizar nossa missão no mundo.

Tempo Comum (1ª Parte)
O Tempo Comum é dividido em duas partes: Começa no dia seguinte à celebração da festa do Batismo do Senhor e se estende até a terça-feira antes da Quaresma. Recomeça na segunda-feira depois do Pentecostes e termina com o 1º domingo do Advento.
Os 33 (ou 34) domingos são marcados pela leitura continua do Evangelho. Cada texto proclamado nos coloca no seguimento de Jesus Cristo, desde o chamado dos primeiros discípulos até os ensinamentos sobre os fins dos tempos.
O termo “comum” nos remete aquilo que é corriqueiro da caminhada de Jesus. Ou seja, tudo aquilo que está fora dos fatos históricos mais importantes da vida de Jesus.
A cor litúrgica que marca esse Tempo é o verde. Representa a esperança cristã, a serenidade, a perseverança.

Ciclo Pascal: Quaresma, Semana Santa, Tríduo Pascal, Tempo Pascal, Pentecostes.
- Quaresma
A palavra Quaresma vem do latim quadragésima e designa o período de quarenta dias de preparação para a Páscoa. Inicia-se com a Quarta-feira de Cinzas e encerra-se com a Missa da Ceia do Senhor na Quinta-feira da Semana Santa. A origem da Quaresma é antiga e está ligada com a preparação dos catecúmenos ao Batismo.

- Quarta-feira de Cinzas
Logo após a terça-feira de Carnaval, marca o início da Quaresma e é dia de jejum e abstinência.
As cinzas usadas na celebração vêm dos ramos bentos do Domingo de Ramos do ano anterior. São símbolos da fragilidade e pequenez humanas. Lembra-te que és pó e ao pó retornarás. O rito da imposição das cinzas dentro da missa substitui o Ato penitencial e realiza-se depois da homilia. Convertei-vos e crede no Evangelho (Mc 1, 15).

- Quaresma
Esse período é um retiro espiritual, onde nos recolhemos em oração e penitência preparando o espírito para a acolhida do Cristo Ressuscitado.
A cor litúrgica é o Roxo, um convite à conversão, à penitencia e à fraternidade.

No 4º Domingo pode-se usar o Róseo. Não se canta o Aleluia, pois, essa aclamação de alegria, que significa “Louvai o Senhor”, não combina com o clima quaresmal. Os cantos desse Tempo são próprios e convidam ao arrependimento e à conversão

Como forma de penitência fazemos os “exercícios quaresmais” do jejum, da esmola e da oração.
O jejum faz sentir a precariedade e a fugacidade da vida neste mundo e ajuda a ordenar a nossa existência para Deus. Por esmola entendemos a caridade, com todas as suas variantes e implicações. Pela oração entramos em comunhão com Deus. Ela é expressão de verdadeira adoração. Estes exercícios devem fazer parte da vida do cristão ao longo de todo o ano, mas na quaresma devemos praticá-los mais intensamente.
A Quaresma é, portanto, tempo de conversão e reconciliação em dois níveis: com Deus e com os outros, ou seja, em dimensão pessoal e social. A dimensão social é reforçada a cada ano pela Campanha da Fraternidade, que nos alerta acerca de uma carência social.
A Via Sacra, do Latim Via Crucis, “caminho da cruz”, é um exercício de piedade em forma de caminhada no qual os fiéis percorrem, em 14 estações, o trajeto seguido por Jesus Cristo na Sexta-feira Santa, desde o Pretório de Pilatos até o Monte Calvário. Nós vos adoramos Senhor Jesus Cristo e vos bendizemos. Porque pela vossa Santa Cruz, remistes o mundo.

- Semana Santa
É chamada de Santa, porque nela celebramos os momentos mais importantes da nossa salvação. Com a entrega de sua vida na cruz por nós, Jesus santificou essa semana, e nós a santificamos com nosso compromisso cristão.
A religiosidade popular criou uma série de atos de piedade ao longo da Semana Santa que não constam na liturgia oficial. Procissão do Bom Jesus dos Passos; Procissão do Senhor Morto; Procissão do Encontro; Encenação da Paixão; Canto da Verônica; Malhação de Judas; Procissão da Ressurreição; entre outros.

- Domingo de Ramos
Marca o início da Semana Santa. Há a leitura de dois Evangelhos: O da entrada de Jesus em Jerusalém, feita no local onde se benze os ramos. E o da Paixão, feita de forma dialogada na Igreja.
Os Ramos não precisam ser necessariamente de Oliveira e são sinal do amor de Jesus por nós e do nosso compromisso com ele. Não devem ser usados como amuletos.

- Tríduo Pascal
Centro e cume de todo o Ano Litúrgico. São dias dedicados a celebrações e orações especiais. Começa com a Missa da Ceia do Senhor na noite da Quinta-feira Santa, continua na Sexta-feira da Paixão e termina com a solene Vigília Pascal. A Igreja celebra num único e mesmo movimento a Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus.

- Quinta-feira da Semana Santa
Esse dia é conhecido como o dia da instituição do Sacerdócio e da Eucaristia. Pela manhã, na catedral, o bispo com todos os sacerdotes da diocese preside a Missa do Crisma. Essa missa é chamada Missa do Crisma, porque nele são abençoados o óleo do Crisma, o óleo dos catecúmenos (usado no batismo) e o óleo da Unção dos enfermos.
Na tarde da Quinta-feira Santa celebra-se a Missa da Ceia do Senhor. Nela há o rito do lava-pés. Da Páscoa Judaica (1ª Leit.) chagamos à Páscoa de Jesus (2ª leit.) e a entendemos como serviço de amor (Evangelho) que é doação da vida até as últimas conseqüências (Paixão).
No lugar dos ritos finais se faz a Transladação do Santíssimo Sacramento numa capela à parte para adoração. Pois depois da Ceia Jesus foi para o Monte das Oliveiras e pediu aos discípulos: “ficai comigo, orai e vigiai”. Retiram-se as toalhas do altar, pois até a Vigília Pascal não haverá Missa. A “grande missa” é a vida do Cristo-cordeiro sendo imolado.

- Sexta-feira da Paixão
Único dia em que não se celebra a Missa. Dia de jejum e abstinência. A cor litúrgica é o vermelho, que lembra o sangue derramado do Senhor. Normalmente celebrada às 15 horas. Tudo começa com o silêncio e a prostração de quem preside, segue a Liturgia da Palavra, com o Evangelho da Paixão (João 18 e 19), Prece universal, Adoração da Cruz e, por fim, distribui-se a Comunhão.
A Sexta-feira Santa não é dia do desespero, mas de gratidão. Dia de contemplação agradecida. A morte de Jesus não é o fim, mas o começo de algo novo. Não foi fruto do acaso, mas conseqüência do seu amor. É por isso que o Pai me ama: porque dou a minha vida para retomá-la de novo. Ninguém me tira a vida, eu a dou livremente. Tenho poder de dá-la e de recebê-la de novo. Tal é o encargo que recebi do meu Pai. (João 10, 17-18).

- Vigília Pascal
É a noite santa da ressurreição do Senhor. Celebrada depois do anoitecer do Sábado Santo e antes do amanhecer do domingo da Ressurreição. É a mãe de todas as vigílias, pois nela a Igreja espera, velando, a Ressurreição do Senhor.
1 - Celebração da Luz: Com a benção do fogo novo, preparação do Círio Pascal, procissão para o interior da Igreja e a proclamação da Páscoa com o canto do Exultet. Na Bíblia, o fogo é sinal da presença e ação de Deus. A luz, primeira criatura de Deus, é condição indispensável para que haja vida. Opõe-se às trevas.
2 - Liturgia da Palavra: Sete leituras do Antigo Testamento com seu salmo e oração, canto do Glória, Epístola, canto do Aleluia e Evangelho. As leituras oferecem uma panorâmica da História da Salvação, desde a criação do mundo até a nova criação realizada na morte-ressurreição de Jesus Cristo.
3 - Liturgia Batismal: Ladainha dos santos, Benção da água batismal e renovação das promessas do batismo. A água é símbolo da vida. A descida do catecúmeno à fonte batismal é assimilada à descida de Cristo às profundezas da terra.
4 - Liturgia Eucarística: A Missa prossegue da Apresentação das ofertas em diante e encerra-se com a solene benção da Páscoa.

- Tempo Pascal
Caracterizado pelos 50 dias do Domingo da Ressurreição até ao Domingo de Pentecostes. Celebrado na alegria como um único dia de festa, mais ainda, como o "grande Domingo".
Páscoa é uma palavra vinda do hebraico e significa “passagem”. A Páscoa cristã nasceu da Páscoa judaica, que tem suas raízes numa festa ligada aos pastores. Para os pastores a Páscoa era a passagem de uma pastagem à outra. Nesta ocasião imolavam cordeiros à divindade. Para os hebreus essa antiga festa tornou-se “festa da independência” quando saíram da escravidão no Egito passando o mar vermelho a pé enxuto rumo à terra da liberdade, como nos relata o capítulo 12 do Êxodo. Jesus, celebrando a Páscoa judaica, inaugurou a própria Páscoa, ou seja, sua passagem deste mundo para o Pai.
Os primeiros cristãos adquiriram o costume de se reunirem no “primeiro dia da semana” para celebrar a ressurreição de Cristo e a vida nova que dela decorre. Isso nos ajuda a compreender que todo Domingo é Páscoa e que toda Eucaristia é memorial do mistério pascal de Cristo. Ou seja, a Páscoa nasceu com a Igreja e a Igreja nasceu com a Páscoa.
Os textos do Evangelho nos sete domingos estão distribuídos da seguinte forma: I, II e III Domingos:  Aparições do Ressuscitado; IV Domingo: O Bom Pastor; V e VI Domingos: Discurso de despedida; VII Domingo: Oração sacerdotal de Jesus.
A Primeira leitura é sempre dos Atos dos Apóstolos. Relata a caminhada dos primeiros cristãos após a Ressurreição. A Segunda leitura é uma leitura semi-contínua de:

I Pedro no Ano A; I João no Ano B e Apocalipse no Ano C.


- Ascensão
Palavra que significa subida, elevação. Celebrada no 40º dia depois da Páscoa. Mas transferida para o domingo seguinte. Com a Ascensão termina a experiência da presença sensível de Jesus em nosso meio e começa o tempo da sua presença invisível no Espírito e através do sinal sensível do seu corpo, que é a Igreja.

- Pentecostes
Palavra que vem do grego e significa qüinquagésimo e é celebrado no 50º dia  depois da Páscoa. É a solenidade do dom do Espírito Santo derramado sobre os Apóstolos, que marca os primórdios da Igreja e o início da sua missão a "todas as línguas, povos e nações". A Páscoa não está completa sem o envio do Espírito Santo, por isso pertence e encerra o Ciclo Pascal.

Tempo Comum (2ª Parte)
É um Tempo muito especial de viver o mistério da cotidianidade, tempo da caminhada à luz do Espírito Santo, alimentado pelos sacramentos e seguindo os passos dos santos. O ressuscitado caminha conosco explicando as Escrituras e partindo o Pão (Cf. Lucas 24). É um tempo de apelo a viver a santidade. A vida de muitos santos e santos ao longo desse Tempo é um estímulo à santidade.
Na 2ª parte do Tempo Comum há os meses temáticos. São aqueles meses marcados por um tema forte: agosto: vocação, setembro: bíblia, outubro: missão. Os meses temáticos têm despertado nas nossas comunidades consciência vocacional, interesse maior pela Palavra de Deus, compromisso missionário, etc.

- Cristo Rei
O Tempo comum é um caminhar para a glória, pois a coroa desse tempo de graça é a solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo, no 34º e último domingo do Tempo Comum, que marca também o encerramento do Ano Litúrgico. Esta solenidade é o ponto alto da caminhada de Cristo e dos cristãos: “Se com ele morremos, com ele viveremos. Se com ele sofremos, com ele reinaremos” (II Timóteo 2, 11-12).