quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Circular de Dom Sergio com orientações litúrgicas para o ciclo do Natal


Dom Sérgio Aparecido Colombo



                                                  
Assunto: Orientações Pastorais para o Ciclo do Natal.  
               

  1. A COR LITÚRGICA é a violácea, para distinguir do roxo penitencial da quaresma. No terceiro domingo – GAUDETEpode ser usada, a cor rósea.
  2. A COROA DO ADVENTO, com ramos verdes e quatro velas, que vão sendo acesas progressivamente, a cada domingo, lembram o costume judaico de celebrar a vinda da luz à humanidade, dispersa pelos quatro pontos cardeais. As velas podem fazer parte da procissão de entrada e ser acesas nos ritos iniciais com um refrão apropriado para cada domingo, ou pequena oração: “Bendito sejas, Deus da vida, pela Luz de Cristo, estrela da manhã a quem esperamos com toda a ternura do coração” ou “Bendito sejas, Deus das promessas, porque iluminas nossa vida com a chegada da Luz, Jesus Cristo, teu Filho, a quem esperamos com ternura e alegria”. No quarto domingo, a vela pode ser conduzida por uma mulher grávida e crianças. A coroa do advento nos lembra ainda a vigilância permanente e abertura ao Senhor que sempre vem. Ela marca o ritmo de espera deste tempo. “É preciso estar sempre acordados e com lâmpadas acesas”!
  3. Aproveitar o início do ano litúrgico e melhorar a acolhida das pessoas, para que sejaMAIS AFETUOSA e assim manifeste mais verdadeiramente a presença de Deus entre nós. Eucaristia é o sinal privilegiado da presença e ao mesmo tempo da espera do Senhor:“Até que ele venha”.
  4. Tempo de aprofundar e melhorar a qualidade das relações: na família, na comunidade, na vizinhança, no trabalho. O Senhor que vem, já está no meio de nós.
  5. Tempo de ESCUTAR DE MODO NOVO a PALAVRA DE DEUS. Ele fala pela Bíblia, pela Eucaristia, pelas pessoas, pelos pobres e pelos acontecimentos. Atenção: Dar destaque ao LECIONÁRIO, livro oficial na liturgia da Palavra e que a Palavra de Deus seja proclamada do mesmo, e não de folhetos que depois são jogados fora. PREPARAR BEM OS LEITORES E SALMISTAS. Mais que leitura, a Palavra de Deus precisa serPROCLAMADA COM ALEGRIA, CONVICÇÃO e, sobretudo COMPREENDIDA pela comunidade reunida.
  6. Dar um TEMPO DE SILÊNCIO após cada leitura e homilia, possibilitando um diálogo amoroso, orante e comprometido entre Deus e a assembléia.
  7. A resposta às Preces pode ser cantada: “Vem, Senhor Jesus, Vem!” ou “Vem, Senhor! Vem, Senhor! Vem libertar o teu povo!”. 
  8. Os CANTOS SEJAM DO ADVENTO, para expressar o Mistério de Cristo, próprio deste tempo. Consultar o Hinário Litúrgico, volume I da CNBB e o CD Liturgia IV, Advento, da Paulus.
Omite-se o Glória, reservado para a noite e o tempo do Natal.
  1. Utilizar a Benção final própria do Advento e do Natal.

            MONTAGEM DO PRESÉPIO.
a)      Pode ser montado ao longo do Advento.  No primeiro domingo: terra, areia, pedras, troncos e galhos secos, juta, lona, papel pedra; no segundo domingo: serragem verde ou grama, plantas, água; no terceiro domingo: estátuas dos pastores, ovelhas, jumento e boi – as crianças podem levar estas peças, no final da missa, no local onde está sendo montado o presépio; no quarto domingo: as imagens de José e de Maria podem ser colocadas na gruta por uma família.      Na noite de Natal, a entronização da imagem do Menino JesusAs         estátuas dos magos devem ser colocadas na Epifania do Senhor.    
Este modo catequético de montar o presépio possibilita à comunidade visualizar os sinais da aproximação da chegada do Senhor.
           
      b) Pode também ser montado para o quarto domingo, reservando a imagem do     
           Menino Jesus para a Noite de Natal.                    
                          
 NOTAS IMPORTANTES:
                   
01.    Não descaracterizar o sentido do Advento, antecipando o Natal com árvore de natal, pisca-piscas, festões, fitas, luzes e bolas coloridas, “próprias do Natal”. Vamos deixar o Advento ser Advento. Cuidado para não levar para a Igreja e para o Templo, a mentalidade consumista do Natal, presente em nossa sociedade. O uso de flores deve ser moderado. Melhor que flores, um tronco ao lado da Mesa da Palavra, com um broto (de uma planta), recordam o profeta Isaias: “Do tronco de Jessé sairá um ramo, um broto nascerá de suas raízes” (Is 11,1).
02.    A Noite e todo o Tempo do Natal é que devem ter maior brilho.
03.    Incentivar a Novena do Natal em Família como uma das formas privilegiadas para a preparação do Natal.
 04.  Oportunizar ao povo, horários especiais para o sacramento da confissão.
 05.  Utilizar o material da Campanha da Evangelização de 2010, ENCARNAÇÃO                                   
         e NOVA CRIAÇÃO – EM CRISTO SOMOS NOVAS CRIATURAS, a partir  
         da Solenidade  de  Cristo Rei   conscientizar  a comunidade sobre a importância
         da  COLETA  nos  dias 11 e 12   de   dezembro  de  2010,   sábado   e  domingo,         
         lembrando que sua finalidade é levar avante, a obra evangelizadora  da  Igreja no  
         Brasil. No domingo anterior, os fiéis devem ser lembrados deste compromisso.  
         oferta no envelope como propõe a CNBB, valoriza a Campanha. Nenhuma
         Paróquia pode se omitir.
06.  Os subsídios litúrgicos do Setor de Liturgia da CNBB e a revista Vida Pastoral da
        Paulus poderão enriquecer estas orientações.

  As propostas acima, não são sugestões apenas, e sim orientações do Bispo Diocesano para o Ciclo do Natal. Devem, portanto, ser acatadas. Cada Paróquia com suas Comunidades, possibilidades reais e criatividade, devem executá-las.
                         

                                                                                                          
Dom Sérgio Aparecido Colombo
Bispo Diocesano
“Como aquele que serve”

domingo, 14 de novembro de 2010

Solenidade de Cristo Rei

CRISTO REI DO UNIVERSO
A Festa de Cristo Rei é uma das festas mais importantes no calendário litúrgico, nela celebramos Cristo como Rei do universo. O seu Reino é o Reino da verdade e da vida, da santidade e da graça, da justiça, do amor e da paz.
Essa solenidade é a coroação de todo o ciclo da liturgia eclesiástica, porque na figura de Cristo Rei, se resume toda a obra salvadora do Messias. Ele é o alfa e o ômega, o princípio e o fim.
Nesse dia encerramos o ano litúrgico e começamos o tempo advento. A Igreja convida-nos a concentrar nossa mente e coração nesse fundamento de nossa fé; Jesus Cristo, Rei e Senhor de nossas vidas.

- Instituição
Estávamos no ano 1925 de nossa era Cristã. Sob o contexto de outra guerra, a segunda mundial, mais espantosa que a primeira e que custaria 26 milhões de vidas.
Naquela hora de dor o Papa Pio XI fez ouvir a sua voz e gritou: "A paz de Cristo, pelo reinado de Cristo!". E com a encíclica chamada "Quas Primas", o Papa instituía a Festa de Cristo Rei.
Pio XI insistia na necessidade de reconhecer a autoridade universal de Cristo, porque a aceitação de Cristo faria desaparecer as divisões de pessoas, classes sociais, povos e nações, que acabaria com os ódios, as injustiças e toda a escravidão.
Assim concluía o Papa: “é necessário que Cristo reine na mente dos homens, é necessário que Cristo reine na vontade dos homens, é necessário que reine nos corações dos homens, por um ardente amor a Ele; e é necessário que Cristo reine em nossos corpos e em nossos membros para que sirvam à paz externa da sociedade e à paz interna de nossas almas”.

- Na bíblia.
“Jesus de Nazaré, Rei dos Judeus”, foi a inscrição que Pilatos mandou pôr sobre sua cabeça quando foi sentenciado à morte. Desde esse dia milhares de pessoas no mundo olham a cruz com devoção e fé.
Quando Jesus respondeu a Pilatos: “Tu o dizes, sou Rei”, matizou sua afirmação e continuou: “Eu para isso nasci; para isso vim ao mundo, para dar testemunho da Verdade. Todo o que é da verdade ouve minha voz...” Essa é a Verdade de Deus, uma verdade eterna.
Passaram já vinte e um séculos de História e, no entanto por esse Rei sentenciado à morte somos hoje como uma coroa humana de corações em louvor, em admiração, em obediência e em fervor para Cristo Rei, nosso Rei!

- Rei de um Reino muito especial

Sendo Jesus o Rei de toda a criação, da história do homem, sua realeza é universal. Por isso não podemos levá-lo em nível de ideologia humana, partidária, triunfalista. Seu reino chega justamente à consciência do homem para fazê-lo livre e mais apto para exercer sua propriedade sobre o mundo.
O Reino de Jesus Cristo é de misericórdia, de bondade, de amor. Ele é um Rei cheio de mansidão, pacífico, que derrama sua influência benéfica sobre as pessoas, pela fé. O prefácio da missa de Cristo Rei faz um belo resumo com estas frases: “Um reino universal e eterno. Um reino de verdade e de vida. Um reino de santidade e de graça. Um reino de justiça, amor e paz”.
Na festa de Rei de Cristo Ele deve começar a reinar em nossos corações no momento em que nós permitimos isto a Ele, e o Reino de Deus pode deste modo fazer-se presente em nossas casas, famílias, comunidade e, principalmente, na nossa vida.
Nós cristãos, com nosso testemunho, temos que trabalhar para que em nossa sociedade o reino de Jesus seja a história da verdade sobre o erro, da pureza sobre a corrupção, da vida sobre a morte.
Dedicar a nossa vida a expandir o Reino de Cristo na terra é o melhor que podemos fazer, pois Cristo nos recompensará com alegria e uma paz profunda em todas as circunstancias da vida.

sábado, 6 de novembro de 2010

Santidade: Deus quer e você consegue!

Santidade é o convite que Deus nos faz!

Viver a santidade é andar no caminho das bem-aventuranças,
da caridade, do dialogo, do auxilio fraterno e da fraternidade cristã.

Chamados à santificação somos todos nós,
cada um a seu jeito e dentro de suas possibilidades.

Existe no ser humano uma aspiração natural ao crescimento moral e espiritual.

Vamos seguir o exemplo daquela que é a mais santas de todas:
Santa Maria mãe de Deus! que ela rogue por nós, pecadores,
agora e na hora de nossa morte. Amém.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

TeleTon 2010

Esse é um projeto em que eu acredito.


A maratona televisiva tem como objetivo arrecadar recursos para o tratamento e reabilitação de pacientes atendidos nas 9 unidades da AACD construídas desde o início do Teleton, em 1998. 

A meta de arrecadação deste ano é de R$ 20 milhões. Em 2009, a maratona atingiu R$ 19.355.137. Este dinheiro está sendo utilizado para a construção do ARCD de Poços de Caldas (MG).




quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Irmã Dulce será beatificada

A Congregação das Causas dos Santos do Vaticano reconheceu a beatificação de Irmã Dulce (1914-1992) ao validar um milagre. O anúncio da beatificação foi feito pelo arcebispo de Salvador e primaz do Brasil, d. Geraldo Majella Agnelo, nesta quarta-feira.
Segundo Agnelo, a processo precisa ser assinado pelo papa Bento 16. A cerimônia de beatificação deve ter marcada até o final do ano.

Divulgação
Congregação das Causas dos Santos do Vaticano reconheceu a beatificação de irmã Dulce (1914-1992)ao validar milagre
Congregação das Causas dos Santos do Vaticano reconheceu a beatificação de irmã Dulce (1914-1992)ao validar milagre
A congregação reconheceu como milagre de Irmã Dulce a recuperação de uma mulher sergipana que teria sido desenganada pelos médicos durante o parto, depois de sofrer uma forte hemorragia.
Em seguida, com a comprovação de outro milagre, a religiosa poderá ser santificada. O processo de irmã Dulce começou a tramitar no Vaticano em 2000.
Conhecida como "o anjo bom da Bahia", Maria Rita de Souza Brito Lopes Pontes, a Irmã Dulce, era devota de santo Antônio e começou a praticar caridade aos 13 anos, ajudando os mendigos que moravam nas ruas de Salvador. Cinco anos mais tarde, ingressou na Congregação das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição.
Durante a visita do papa ao Brasil em 2007, o então governador de São Paulo, José Serra (PSDB), enviou carta pedindo a beatificação de irmã Dulce.
Em junho deste ano, o corpo de Irmã Dulce foi exposto ao público pela última vez antes de ser transferido para um túmulo lacrado na capela das Relíquias, em Salvador (BA).
Exumado em maio, o corpo da religiosa estava mumificado e seu hábito (traje de freira), preservado.
Fonte: UOL
- Biografia
Irmã Dulce
(Religiosa brasileira)
26-5-1914, Salvador (BA) 
13-3-1992, Salvador (BA) 

A fragilidade de Irmã Dulce era apenas aparente. A miudinha freira, raro exemplo de bondade e amor, foi arquiteta de uma das mais notáveis obras sociais do Brasil. Nascida Maria Rita de Souza Brito Lopes Pontes, com 13 anos manifestou o desejo de entrar para o convento. Na época, já inconformada com a pobreza, amparava miseráveis e carentes. 
Aos 18, recebeu o diploma de professora e entrou para a Congregação da Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição da Mãe de Deus, do Convento de São Cristóvão, em Sergipe. Com os votos de profissão de fé, a já então Irmã Dulce, em homenagem à mãe, voltou a Salvador, onde trabalhou como enfermeira voluntária e professora de Geografia. 
Sem vocação para lecionar, dedicou-se ao trabalho social nas ruas. Começou prestando assistência à comunidade favelada dos bairros de Alagados e de Itapagipe. Mais tarde, fundou a União Operária São Francisco, primeiro movimento cristão operário de Salvador, e depois o Círculo Operário da Bahia, que proporcionava atividades culturais e recreativas, além de uma escola de ofício. 
Criou, em 1939, o Colégio Santo Antônio, instituição pública para os operários e seus filhos. No mesmo ano, ocupando um barracão, passou a abrigar mendigos e doentes, levados depois ao Mercado do Peixe, nos Arcos do Bonfim. 
Desalojados pelo prefeito da cidade, acolheu-os, com a permissão da madre superiora, no galinheiro do Convento das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição, transformado em 1960, com o apoio do governador do Estado, que cedeu um terreno, em Albergue Santo Antônio, com 150 leitos (hoje o Hospital Santo Antônio). 
Inaugurou ainda um asilo, o Centro Geriátrico Júlia Magalhães, e um orfanato, o Centro Educacional Santo Antônio, que abriga atualmente 300 crianças de 3 a 17 anos e oferece cursos profissionalizantes.


- Processo de beatificação

A decisão será encaminhada ao Papa Bento XVI, que deverá chancelar o título nos próximos meses. Após essa etapa, para ser considerada beata, é preciso a comprovação de milagre ocorrido por meio da intervenção de Irmã Dulce. Comprovado um segundo, a irmã poderá ser santificada.
A Congregação para a Causa dos Santos é um colégio formado por cardeais, bispos e teólogos que analisam as virtudes heroicas de uma “serva de Deus”, como foi o caso da freira, comparada, segundo o texto final, a uma “madre Teresa de Calcutá”. Para o voto, os membros estudaram o Positio, documento canônico misto de relato biográfico e das virtudes e resumos dos testemunhos do processo de beatificação. O de Irmã Dulce foi elaborado por frei Paulo Lombardo, o chamado advogado dos santos, que trabalha nas causas de 60 candidatos, dos quais 15 são do Brasil.
Segundo o advogado, embora a decisão final sobre a concessão do título de venerável seja do Papa, nunca houve uma posição diferente de um pontífice em relação à recomendada pela Congregação.
Frei Lombardo considera que “seguramente” Irmã Dulce preenche todos os requisitos para ser considerada beata:
- Acho que o milagre de cada dia é a obra social que a Irmã Dulce desenvolveu.
O processo de beatificação de Irmã Dulce começou em janeiro de 2000. Entre os milagres atribuídos à religiosa está o que teria beneficiado uma mulher com problemas de hemorragia no parto. Os médicos achavam que era impossível salvá-la. Uma corrente de orações dirigidas à Irmã Dulce foi feita, e ela conseguiu se recuperar.
Irmã Dulce dedicou a vida à causa dos pobres e desvalidos
Chamada pelo escritor e devoto Jorge Amado de Santa Dulce da Bahia, a freira comoveu a Bahia em seus 77 anos de renúncias e dedicação aos pobres. Desde o dia 13 de março de 1992, data de sua morte, o número de graças concedidas pela intercessão de Irmã Dulce tem se multiplicado em todo Brasil.
Um dos cerca de três mil registros de possíveis milagres recebidos pela Obra Social Irmã Dulce (OSID), nos últimos 14 anos, já foi aprovado pela comissão jurídica do Vaticano, na primeira fase do seu processo de beatificação, iniciado em janeiro de 2000.
Batizada de Maria Rita de Souza Brito Lopes Pontes, a professora de história e geografia resolveu homenagear a mãe, que morreu quando ela tinha apenas 6 anos, ao se ordenar freira da Congregação das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição da Mãe de Deus, em Sergipe, aos 20 anos. Dali em diante, ela seria conhecida, e cultuada, como Irmã Dulce.
A dedicação aos necessitados começou bem antes de seu ingresso na vida religiosa. Aos 13 anos, após conhecer uma comunidade carente na companhia de uma tia, Irmã Dulce começou a ajudar aos necessitados na porta de sua casa, em Salvador.
Nas duas primeiras visitas que fez ao Brasil, o Papa João Paulo II desviou seu percurso para visitar a Mãe dos Pobres na Bahia. Em outubro de 1991, Irmã Dulce já não dormia mais na cadeira de madeira onde passara as noites dos últimos 30 anos de sua vida.
Com 70% da capacidade respiratória comprometida, a freira baiana recebeu o Santo Padre em sua cama de enferma no Convento Santo Antônio (inaugurado por ela em 1947), onde cinco meses depois viria a falecer.
Foi no galinheiro desse mesmo convento que, em 1949, ela instalou os 70 doentes carentes que cuidava, dando origem ao Hospital Santo Antônio, hoje reconhecido pelo Ministério da Saúde como o maior hospital beneficente do Brasil.

domingo, 24 de outubro de 2010

Desmonte de uma falácia


Reprodução do artigo do portal Adital
Dom Demétrio Valentini - Bispo de Jales (SP) e Presidente da Cáritas Brasileira

Adital -
A questão do aborto está sendo instrumentalizada para fins eleitorais. Esta situação precisa ser esclarecida e denunciada.
Está sendo usada uma questão que merece toda a atenção e isenção de ânimo para ser bem situada e assumida com responsabilidade, e que não pode ficar exposta a manobras eleitorais, amparadas em sofismas enganadores.
Nesta campanha eleitoral está havendo uma dupla falácia, que precisa ser desmontada.
Em primeiro lugar, se invoca a autoridade da CNBB para posições que não são da entidade, nem contam com o apoio dela, mas se apresentam como se fossem manifestações oficiais da CNBB.
Em segundo lugar, se invoca uma causa de valor indiscutível e fundamental, como é a questão da vida, e se faz desta causa um instrumento para acusar de abortistas os adversários políticos, que assim passam a ser condenados como se estivessem contra a vida e a favor do aborto.
Concretamente, para deixar mais clara a falácia, e para urgir o seu desmonte:
A Presidência do Regional Sul 1 da CNBB incorreu, no mínimo, em sério equívoco quando apoiou a manifestação de comissões diocesanas, que sinalizavam claramente que não era para votar nos candidatos do PT, em especial na candidata Dilma.
Ora, os Bispos do Regional já tinham manifestado oficialmente sua posição diante do processo eleitoral. Por que a Presidência do Regional precisava dar apoio a um documento cujo teor evidentemente não correspondia à tradição de imparcialidade da CNBB? Esta atitude da Presidência do Regional Sul 1 compromete a credibilidade da CNBB, se não contar com urgente esclarecimento, que não foi feito ainda, alertando sobre o uso eleitoral que está sendo feito deste documento assinado pelos três bispos da presidência do Regional.
Esta falácia ainda está produzindo conseqüências. Pois no próprio dia das eleições foram distribuídos nas igrejas, ao arrepio da Lei Eleitoral, milhares de folhetos com a nota do Regional Sul 1, como se fosse um texto patrocinado pela CNBB Nacional. E enquanto este equívoco não for desfeito, infelizmente a declaração da Presidência do Regional Sul 1 da CNBB continua à disposição da volúpia desonesta de quem a está explorando eleitoralmente. Prova deste fato lamentável é a fartura como está sendo impressa e distribuída.
Diante da gravidade deste fato, é bem vindo um esclarecedor pronunciamento da Presidência Nacional da CNBB, que honrará a tradição de prudência e de imparcialidade da instituição.
A outra falácia é mais sutil, e mais perversa. Consiste em arvorar-se em defensores da vida, para acusar de abortistas os adversários políticos, para assim impugná-los como candidatos, alegando que não podem receber o voto dos católicos.
Usam de artifício, para fazerem de uma causa justa o pretexto de propaganda política contra seus adversários, e o que é pior, invocando para isto a fé cristã e a Igreja Católica.
Mas esta falácia não pára aí. Existe nela uma clara posição ideológica, traduzida em opção política reacionária. Nunca relacionam o aborto com as políticas sociais que precisam ser empreendidas em favor da vida.
Votam, sem constrangimento, no sistema que produz a morte, e se declaram em favor da vida.
Em nome da fé, julgam-se no direito de condenar todos os que discordam de suas opções políticas. Pretendem revestir de honestidade, uma manobra que não consegue esconder seu intento eleitoral.
Diante desta situação, são importantes, e necessários, os esclarecimentos. Mais importante ainda é a vigilância do eleitor, que tem todo o direito de saber das coisas, também aquelas tramadas com astúcia e malícia.