sábado, 3 de dezembro de 2011

O Papai Noel, as Meias na lareira e os Presentes de Natal

- O Papai Noel
O nosso Papai Noel tem uma história muito bonita: um santo da Igreja, chamado Nicolau, que viveu de 271 a 341, resolveu dividir seus bens com pessoas pobres, sem se identificar. Assim nasceu a tradição do bom velhinho que dá presentes. Para nós cristãos ele simboliza a bondade de Deus que partilha conosco seu bem mais precioso, o seu Filho Jesus.




- As meias na lareira ou sapatos na janela
A tradição de pendurar meias na lareira ou deixar sapatos na janela originou-se de uma das muitas histórias sobre São Nicolau, em quem se inspira a figura do Papai Noel (confira acima). No passado para uma moça se casar era indispensável dispor de um dote. São Nicolau conhecendo a triste situação de uma família pobre sem recursos para o dote das filhas, secretamente, jogou três pequenos sacos de moedas de ouro pela chaminé da casa dessa família (daí também surge a tradição de que o Papai Noel traz os presentes descendo pela chaminé). Os sacos com as moedas caíram dentro das meias das moças, penduradas na lareira para secar. Em outras versões foi pela janela, e caíram dentro de uns sapatos. Enfim, São Nicolau era generoso e bom de arremesso.

- Os presentes
Existem muitas origens para este símbolo. Uma delas conta que São Nicolau, um anônimo benfeitor, presenteava as pessoas no período natalino. Outra tradição mais antiga lembra os três reis magos que presentearam Jesus.
Dar presente é uma maneira muito palpável de demonstrar a solidariedade e bondade humana em dar sem interesse de receber. É vivenciar de maneira simples e ínfima a imensa e infinita bondade de Deus que, pelo mistério da encarnação, se fez presente entre nós.
A compra de presentes, a mobilização do comercio e os apelos ao consumo, aliados à disponibilidade do 13º salário, deram um impulso consumista e nada cristão ao Tempo do Natal.

Os Três Reis Magos


Os magos no Evangelho de Mateus designam homens sábios ou homens da ciência. Eles conheciam as Sagradas Escrituras (Cf. Mt 2, 5-6) e a astronomia, por isso seguiram com precisão o movimento da estrela nos céus (Cf. Mt 2, 7). Os magos do Evangelho de Mateus eram astrônomos e astrólogos, ou seja, eram os cientistas daquele tempo. De certa forma não foi pela fé, nem pela religião, e sim pela razão e pela ciência que eles chegaram até Jesus.
Na tradição católica a visita à manjedoura de Belém por “uns magos do Oriente” foi tornando-se uma visitação feita por reis. Os reis sempre tiveram uma reputação melhor que a dos cientistas e também favoreciam as ciências. Por isso, já a partir do século III, os magos viraram reis, com coroa e tudo.
O numero de três magos terá sido influenciado ou deduzido pelo numero dos três presentes oferecidos. São Beda, o Venerável considera-os representantes da Europa, Ásia e áfrica, os três continentes até então conhecidos naquele tempo.
 
- Os três presentes: ouro, incenso e mirra.
O Ouro representa a natureza real por ser um presente tradicionalmente oferecido a reis; o Incenso representa a natureza divina de Jesus por ser usado nos cultos aos deuses e a Mirra evoca o sofrimento e a morte futura de Jesus por ser um elemento usado para embalsamar os mortos.

- Melchior, Baltazar e Gaspar
Esses nomes surgiram a partir do século VIII. Melchior (melech-or) significa “rei da luz”, Baltazar (Baal-otsar) “senhor do tesouro” e Gaspar (gisbar) “o tesoureiro”. Melchior, o rei mago moreno, teria trazido o incenso; Baltazar, o negro, presenteou Jesus com a mirra e Gaspar, o rei mago branco, o ouro.
Referências
Evaristo Eduardo de Miranda. Livro: Guia de Curiosidades Católicas. Editora Vozes.
Padre Cristovam Lubel. Folder: O Natal e seus símbolos. Editora Pão e Vinho.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Vivamos intensamente o tempo do Advento


Caros filhos, eis chegado o tempo tão importante e solene que, conforme diz o Espírito Santo, é o momento favorável, o dia da salvação (cf. 2Cor 6,2), da paz e da reconciliação. É o tempo que outrora os patriarcas e profetas tão ardentemente desejaram com seus anseios e suspiros; o tempo que o justo Simeão finalmente pôde ver cheio de alegria, tempo celebrado sempre com solenidade pela Igreja, e que também deve ser constantemente vivido com fervor, louvando e agradecendo ao Pai eterno pela misericórdia que nos revelou nesse mistério. Em seu imenso amor por nós, pecadores, o Pai enviou seu Filho único a fim de libertar-nos da tirania e do poder do demônio, convidar-nos para o céu, revelar-nos os mistérios do seu reino celeste, mostrar-nos a luz da verdade, ensinar-nos a honestidade dos costumes, comunicar-nos os germes das virtudes, enriquecer-nos com os tesouros da sua graça e, enfim, adotar-nos como seus filhos e herdeiros da vida eterna.
Celebrando cada ano este mistério, a Igreja nos exorta a renovar continuamente a lembrança de tão grande amor de Deus para conosco. Ensina-nos também que a vinda de Cristo não foi proveitosa apenas para os seus contemporâneos, mas que a sua eficácia é comunicada a todos nós se, mediante a fé e os sacramentos, quisermos receber a graça que ele nos prometeu, e orientar nossa vida de acordo com os seus ensinamentos.
A Igreja deseja ainda ardentemente fazer-nos compreender que o Cristo, assim como veio uma só vez a este mundo, revestido da nossa carne, também está disposto a vir de novo, a qualquer momento, para habitar espiritualmente em nossos corações com a profusão de suas graças, se não opusermos resistência.
Por isso, a Igreja, como mãe amantíssima e cheia de zelo pela nossa salvação, nos ensina durante este tempo, com diversas celebrações, com hinos, cânticos e outras palavras do Espírito Santo, como receber convenientemente e de coração agradecido este imenso benefício e a enriquecer-nos com seus frutos, de modo que nos preparemos para a chegada de Cristo nosso Senhor com tanta solicitude como se ele estivesse para vir novamente ao mundo. É com esta diligência e esperança que os patriarcas do Antigo Testamento nos ensinaram, tanto em palavras como em exemplos, a preparar a sua vinda.
Das Cartas Pastorais de São Carlos Borromeu, bispo
(Acta Eclesiae Mediolanensis, t. 2, Lugduni, 1683, 916-917)
(Séc. XVI)
Oração
Senhor nosso Deus, dai-nos esperar solícitos a vinda do Cristo, vosso Filho. 
Que ele, ao chegar, nos encontre vigilantes na oração e proclamando o seu louvor.
 
Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Sugestões Litúrgicas Advento 2011


ADVENTO 2011 – ANO B

1º Domingo do Advento (26-27 Novembro 2011)
1ª Leitura: Isaias 63, 16-17.19; 64, 2-7: Ah! Se rompesses os céus e descesses!
Salmo 79: Iluminai a vossa face sobre nós, convertei-nos, para que sejamos salvos!
2ª Leitura: I Coríntios 1, 3-9: Esperamos a revelação de nosso Senhor Jesus Cristo.
Evangelho: Marcos 13, 33-37: Vigiai, pois não sabeis quando o dono da casa virá.

- Frases temáticas
Deus vem como redentor.
Virá salvar-nos por meio de seu Filho.
Despertos para a chegada do bem maior.
Fiquemos vigilantes à espera de sua vinda.
Vigiai, pois não sabeis quando o dono da casa virá.

- Acolhida
Criar um ambiente acolhedor e fraterno, sobretudo na chegada dos irmãos e irmãs que vêm à celebração.

A equipe de celebração procure acolher e saudar afetuosamente as pessoas que vão chegando para a celebração cerca de 20 a 15 minutos antes.

Para que a assembléia melhor se prepare para a ação celebrativa é bom fazer um breve ensaio, antes da celebração, dos cantos e refrões do dia. Lembrando que neste Tempo Litúrgico exigem-se cantos próprios.

- Espaço celebrativo
A cor litúrgica para o dia de hoje é o Roxo.
O espaço celebrativo deve estar despojado e sóbrio.

Espalhar pela Igreja as frases temáticas acima sugeridas, ou outras frases bíblicas que aludam a esse tempo especial.

Preparar a coroa do Advento, com ramos verdes, enfeitada com fitas vermelha ou colorida. A cada domingo introduzir uma vela até completar quatro. Hoje se acende a vela de cor verde simbolizando a esperança, palavra que deriva de esperar.

Com base na passagem de Isaias 11, 1, pode-se colocar na porta da Igreja um tronco grande, do qual deve sair um broto (qualquer planta verde que dure todo o tempo do advento). Este símbolo realça o sentido de espera.

- Procissão de entrada
Uma ou duas pessoas trazem a coroa do advento, sem as velas, e a depositam num suporte devidamente preparado em um local visível para todos. Nunca em cima da mesa do altar.

- Ritos iniciais
Quem preside ou o animador convida a comunidade a acolher a primeira vela que se aproxima acesa, enquanto o grupo canta um refrão meditativo, como: “Ó luz do Senhor que vem sobre a terra...”

Outra opção: A coroa já pode estar preparada em seu devido lugar com todas as velas apagadas e a cada domingo, neste momento, se acende a vela da cor correspondente.

- Hino de louvor
No advento não se canta o Glória.

- Liturgia da Palavra
Na liturgia da Palavra, assumimos a atitude de escuta e nos colocamos atentamente com o “ouvido do coração” para ouvir e acolher a Palavra do Senhor. Um refrão meditativo pode substituir o comentário antes das leituras, pois ajuda a sensibilizar o coração.

- Preces
A resposta da Oração da assembléia poderá ser cantada e expressar desejo e expectativa, como: “Vem, Senhor! Vem nos libertar!”, ou semelhante.

- Liturgia Eucarística
Rezar o Prefacio do Advento I.

Acentuar os momentos de silêncio, principalmente, após a comunhão.

- Comunhão
Viver com especial fervor e devoção o Rito da comunhão com um cântico que retome o conteúdo do Evangelho.

- Ritos finais
Lembrar a comunidade de alguns compromissos importantes desse período como a organização e realização da Novena de Natal e a Campanha da Evangelização.

Incentivar as famílias a armarem o presépio em casa e também confeccionarem uma coroa do Advento para ser acesa nos momentos de oração em família.

O presépio na Igreja pode ser preparado aos poucos, para dar o sentido de expectativa e proximidade do Natal. Hoje se prepara o local e o cenário.

Abençoar o povo com a bênção própria do advento.

A despedida pode ser em consonância com o mistério celebrado: Preparai o caminho do Senhor, ide em paz...

- Observações finais
Adaptar essas dicas à realidade da comunidade.
Tomar o cuidado para não sobrecarregar a celebração de símbolos.
O símbolo deve falar por si mesmo, não se deve fazer longas explicações sobre os símbolos.

Referência:
PEREIRA, José Carlos. Liturgia: sugestões para dinamizar as celebrações. Petrópolis: Vozes, 2009.



2º Domingo do Advento (03-04 Dezembro 2011)
1ª Leitura: Isaias 40, 1-5.9-11: Preparai o caminho do Senhor
Salmo 84: Mostrai-nos, ó Senhor, vossa bondade, e a vossa salvação nos concedei!
2ª Leitura: II Pedro 3, 8-14: O que nós esperamos são novos céus e uma nova terra.
Evangelho: Marcos 1, 1-8: Endireitai as estradas do Senhor

- Frases temáticas
Conversão, instrumento de mudança.
Deus vem para que voltemos a Ele.
Preparai o caminho para o Senhor.
Preparemos o caminho.
Caminhos a preparar.

- Espaço celebrativo
A cor litúrgica para o dia de hoje é o Roxo.
A ornamentação da Igreja nesse tempo do advento deve ser discreta. Poucas flores e se possível da cor roxa.
A cor litúrgica pode ser usada nas velas, nas vestes do sacerdote, nas toalhas do ambão, etc.
Os instrumentos musicais devem ser usados com moderação.
Escolher cantos que tornem presentes o espírito do Advento.
A figura a ser destacada nessa celebração de hoje é João Batista.
Hoje se acende a vela de cor vermelha lembrando o martírio de João Batista.

- Procissão de entrada
Trazer a segunda vela do Advento.
Convidar um homem de nome João para trazer a imagem de João Batista.
Entrar também com uma das frases sugeridas acima para ajudar a comunidade a entender o espírito da celebração desse dia.

- Ato penitencial
Lembrando João Batista o ato penitencial pode ser feito com aspersão de água benta e com um canto apropriado, como “Banhados em Cristo”, entre outros.

- Liturgia Eucarística
Rezar o prefacio próprio para esse Domingo do Advento.

- Ritos finais
Lembrar a comunidade de alguns compromissos importantes desse período como a organização e realização da Novena de Natal e a Campanha da Evangelização.
A coleta da Campanha para evangelização se realizará na próxima semana.
O presépio na Igreja pode ser preparado aos poucos, para dar o sentido de expectativa e proximidade do Natal. Hoje se coloca os animais e as plantas.
Abençoar o povo com a bênção própria do advento.
A despedida pode ser em consonância com o mistério celebrado: Preparai o caminho do Senhor, ide em paz...



3º Domingo do Advento (10-11 Dezembro 2011)
Domingo Gaudete ou Domingo da alegria
1ª Leitura: Isaias 61, 1-2.10-11: Exulto de alegria no Senhor.
Salmo (Cântico Lc 1, 46-54): A minh’alma se alegra no meu Deus.
2ª Leitura: I Tessalonicenses 5, 16-24: Estais sempre alegres, irmãos.
Evangelho: João 1, 6-8.19-28: O testemunho de João.


- Frases temáticas
Alegrai-vos sempre no Senhor. De novo eu vos digo: Alegrai-vos! O Senhor está perto.
Testemunhas da alegria de Cristo.
Deus vem para alegria dos pobres.
João apontando o caminho.

- Espaço celebrativo
A cor litúrgica para o dia de hoje é o Róseo.
Hoje se usam flores na ornamentação da igreja, mas com moderação.
A cor litúrgica pode ser usada nas velas, nas vestes do sacerdote, nas toalhas do ambão, etc.

- Acolhida
Na entrada principal da Igreja pode ser colocado uma mesa ornamentada com toalhas coloridas e um arranjo de flores. Colocar frases de boas-vindas e uma das frases indicadas acima. Esses símbolos e a ornamentação da Igreja salientam a alegria desse domingo Gaudete.

- Procissão de entrada
Trazer a terceira vela do Advento.
Entrar também com uma das frases sugeridas acima para ajudar a comunidade a entender o espírito da celebração desse dia.
- Ato penitencial
Fazer o Rito da aspersão, acompanhado de um canto apropriado.

- Preces
A resposta pode ser cantada de uma forma a expressar desejo e expectativa, como: “Vem, Senhor. Vem nos libertar!”.

- Ofertório
Hoje se realiza a coleta da Campanha para a evangelização. Se possível explicar a destinação desses recursos.

- Liturgia Eucarística
Hoje de modo especial canta-se as respostas da Oração Eucarística, o Santo, o Prefácio, o Amém da doxologia e o Cordeiro de Deus.

- Ritos finais
Hoje se coloca no presépio as imagens dos reis magos e a manjedoura vazia.
Abençoar o povo com a bênção própria do advento.
A despedida pode ser em consonância com o mistério celebrado: Alegrai-vos sempre no Senhor, ide em paz...



4º Domingo do Advento (17-18 Dezembro 2011)
1ª Leitura: II Samuel 7, 1-5.8-12.14-16: Davi quer construir uma casa para o Senhor.
Salmo 88: Ó Senhor, eu cantarei eternamente o vosso amor!
2ª Leitura: Romanos 16, 25-27: O mistério agora foi manifestado.
Evangelho: Lucas 1, 26-38: Eis que conceberás e darás à luz um filho.

- Frases temáticas
A habitação viva. / Jesus, filho de Davi. / Uma casa para Deus. / Deus pede o nosso “sim”. / Gerando uma nova história.

- Espaço celebrativo
A cor litúrgica para o dia de hoje é o Roxo.
Hoje se acende a vela de cor branca.
Ao lado do tronco com o broto que foi sugerido nos domingos anteriores poderá ser colocada uma imagem de nossa Senhora grávida, como Aparecida, Guadalupe, etc. Ou se preferir uma imagem de São José e um anjo.
Se na comunidade houver grupo de coroinhas eles podem participar dessa celebração vestidos de anjos.

- Acolhida
Valorizar o gesto de acolhida a exemplo de Maria que acolheu com alegria o Salvador.

- Procissão de entrada
Mulheres grávidas ou crianças vestidas de anjos podem trazer as imagens de Maria e São José, a serem colocadas em local de destaque.

- Ritos iniciais
Quem preside ou o animador convida a comunidade a acolher a quarta vela que se aproxima acesa, ou uma mulher grávida a acende nesse momento, enquanto o grupo canta um refrão meditativo.

- Liturgia da Palavra
O evangelho poder ser dialogado ou encenado.
Após, a assembléia poderá rezar a primeira parte da Ave Maria, retomando o Evangelho.

- Ofertório
Na procissão do ofertório o casal, com a grávida, pode levar ao altar o pão e o vinho.
A assembléia pode realizar a oferta de roupas e utensílios de bebê a serem doados às grávidas carentes da comunidade. Essas roupas podem estar embaladas em papel de presente a serem depositadas aos pés da imagem de Nossa Senhora. Para que isso aconteça tal pedido deve ser feito com antecedência.

- Ritos finais
Hoje se coloca no presépio as imagens de Maria e José. Na noite de Natal os anjos e o menino Jesus.
Abençoar o povo com a bênção própria do advento e se possível pedir que as gestantes se aproximem do altar para benção final.
Canto final em louvor a Mãe de Deus.

- Combinar com o sacerdote da comunidade uma celebração penitencial antes do Natal. Se possível e oportuna seja feita, em sua forma comunitária, a administração do sacramento da penitencia. Isso ajudará a comunidade a se preparar para a celebração do Natal.

Esse é um tempo oportuno para pedir que cada pessoa convide outras pessoas não participantes da vida da comunidade para as celebrações natalinas, como a Novena e a Missa de Natal.

Referência
PEREIRA, José Carlos. Liturgia: sugestões para dinamizar as celebrações. Petrópolis: Vozes, 2009.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

O Tempo do Advento


O Advento é um dos tempos do Ano Litúrgico e pertence ao ciclo do Natal. A liturgia do Advento caracteriza-se como período de preparação, como se pode deduzir da própria palavra “advento” que se origina do verbo latino advenire, que quer dizer chegar.
Advento quer dizer chegada, vinda. Originalmente, a palavra advento era usada pelos antigos romanos para anunciar a visita do seu soberano às províncias fora de Roma. Isto significava para o povo um tempo de preparação, para que quando o rei chegasse tudo estivesse em ordem. Mais tarde, os cristãos começaram a designar “advento” as semanas que antecedem e preparam a festa do nascimento de Jesus.

Advento é tempo de espera d’Aquele que há de vir. Pelo Advento nos preparamos para celebrar o Senhor que veio, que vem e que virá; sua liturgia conduz a celebrar as duas vindas de Cristo: Natal e Parusia. Na primeira, celebra-se a manifestação de Deus experimentada há mais de dois mil anos com o nascimento de Jesus, e na segunda, a sua desejada manifestação no final dos tempos, quando Cristo vier em sua glória.
O Advento celebra a vinda de Jesus Cristo no tempo e na historia dos seres humanos, para trazer-lhes a salvação. É, portanto, o tempo da expectativa, e o cristão é chamado a vivê-lo em plenitude para poder receber dignamente o Senhor no momento em que vier.

As atitudes interiores que nos preparam melhor para esta vinda podem ser assim expressas:
- Manter-se vigilante na fé, na oração, em uma abertura atenta e disponível para reconhecer os “sinais” da vinda do Senhor em todas as circunstancias e momentos da vida e até o fim dos tempos.
- Andar no caminho traçado por Deus, sem se desviar por caminhos tortuosos.
- Manter um coração pobre e vazio de si, imitando São José, Nossa Senhora, João Batista e os outros “pobres” do evangelho, que, precisamente por serem pobres e humildes, souberam reconhecer em Jesus o Filho de Deus que veio salvar a todos.

Um dos muitos símbolos do Natal é a coroa do Advento que, por meio de seu formato circular e de suas cores, silenciosamente expressa a esperança e convida à alegre vigilância.

A coroa do Advento.

A coroa teve sua origem no século XIX, na Alemanha, nas regiões evangélicas, situadas ao norte do país. Nós, católicos, adotamos o costume da coroa do Advento no início do século XX. Na confecção da coroa eram usados ramos de pinheiro e cipreste, únicas árvores cujos ramos não perdem suas folhas no outono e estão sempre verdes, mesmo no inverno. Os ramos verdes são sinais da vida que teimosamente resiste; são sinais da esperança. Em algumas comunidades, os fiéis envolvem a coroa com uma fita vermelha que lembra o amor de Deus que nos envolve e nos foi manifestado pelo nascimento de Jesus. Até forma circular da coroa, tem um bonito simbolismo. Sendo uma figura sem começo e fim, representa perfeição, harmonia e eternidade. 
Na coroa, também são colocadas quatro velas referentes a cada domingo que antecede o Natal. A luz vai aumentando à medida que se aproxima o Natal, festa da luz que é Cristo, quando a luz da salvação brilha para toda humanidade. Quanto às cores das quatro velas no Brasil tem-se propagado o costume de se usar velas coloridas, cada uma de uma cor, visto que nosso país é marcado pelas culturas indígena e afro, onde o colorido lembra festa, dança e alegria.

Campanha para evangelização.

No Advento a CNBB lança a cada ano a “Campanha para a Evangelização” a fim de despertar mais vivamente a consciência do cristão para essa missão da Igreja, que é de evangelizar todos os povos.
Utilizando o material que todo ano é distribuído, as celebrações dominicais do Advento poderão ser dinamizadas de modo a envolver todos os membros de nossas paróquias e comunidades na Coleta da Campanha para a Evangelização, a ser realizada no terceiro Domingo do Advento.
Lembramos que o gesto concreto dessa Coleta, além do percentual destinado à CNBB, ajuda a própria Diocese nos trabalhos pastorais e evangelizadores. Através dessa prestação de contas, pode-se constatar como é importante a doação de todos para que a nossa Igreja continue evangelizando mais e melhor.

Participar da celebração eucarística neste tempo do Advento significa acolher e reconhecer o Senhor, que continuamente vem ficar no meio de nós e segui-lo no caminho que leva ao Pai. Afim de que, com sua vinda gloriosa no fim dos tempos, ele nos introduza todos juntos no Reino, para fazer-nos tomar parte na vida eterna, com os bem-aventurados e os santos do céu.

sábado, 12 de novembro de 2011

Solenidade de Cristo Rei do Universo


A Festa de Cristo Rei é uma das festas mais importantes no calendário litúrgico, nela celebramos Cristo como Rei do universo. O seu Reino é o Reino da verdade e da vida, da santidade e da graça, da justiça, do amor e da paz.
Essa solenidade é a coroação de todo o ciclo da liturgia eclesiástica, porque na figura de Cristo Rei, se resume toda a obra salvadora do Messias. Ele é o alfa e o ômega, o princípio e o fim.
Nesse dia encerramos o ano litúrgico e começamos o tempo advento. A Igreja convida-nos a concentrar nossa mente e coração nesse fundamento de nossa fé; Jesus Cristo, Rei e Senhor de nossas vidas.

- Instituição
Estávamos no ano 1925 de nossa era Cristã. Sob o contexto de outra guerra, a segunda mundial, mais espantosa que a primeira e que custaria 26 milhões de vidas.
Naquela hora de dor o Papa Pio XI fez ouvir a sua voz e gritou: "A paz de Cristo, pelo reinado de Cristo!". E com a encíclica chamada "Quas Primas", o Papa instituía a Festa de Cristo Rei.
Pio XI insistia na necessidade de reconhecer a autoridade universal de Cristo, porque a aceitação de Cristo faria desaparecer as divisões de pessoas, classes sociais, povos e nações, que acabaria com os ódios, as injustiças e toda a escravidão.
Assim concluía o Papa: “é necessário que Cristo reine na mente dos homens, é necessário que Cristo reine na vontade dos homens, é necessário que reine nos corações dos homens, por um ardente amor a Ele; e é necessário que Cristo reine em nossos corpos e em nossos membros para que sirvam à paz externa da sociedade e à paz interna de nossas almas”.

- Na bíblia.
“Jesus de Nazaré, Rei dos Judeus”, foi a inscrição que Pilatos mandou pôr sobre sua cabeça quando foi sentenciado à morte. Desde esse dia milhares de pessoas no mundo olham a cruz com devoção e fé.
Quando Jesus respondeu a Pilatos: “Tu o dizes, sou Rei”, matizou sua afirmação e continuou: “Eu para isso nasci; para isso vim ao mundo, para dar testemunho da Verdade. Todo o que é da verdade ouve minha voz...” Essa é a Verdade de Deus, uma verdade eterna.
Passaram já vinte e um séculos de História e, no entanto por esse Rei sentenciado à morte somos hoje como uma coroa humana de corações em louvor, em admiração, em obediência e em fervor para Cristo Rei, nosso Rei!

- Rei de um Reino muito especial

Sendo Jesus o Rei de toda a criação, da história do homem, sua realeza é universal. Por isso não podemos levá-lo em nível de ideologia humana, partidária, triunfalista. Seu reino chega justamente à consciência do homem para fazê-lo livre e mais apto para exercer sua propriedade sobre o mundo.
O Reino de Jesus Cristo é de misericórdia, de bondade, de amor. Ele é um Rei cheio de mansidão, pacífico, que derrama sua influência benéfica sobre as pessoas, pela fé. O prefácio da missa de Cristo Rei faz um belo resumo com estas frases: “Um reino universal e eterno. Um reino de verdade e de vida. Um reino de santidade e de graça. Um reino de justiça, amor e paz”.
Na festa de Rei de Cristo Ele deve começar a reinar em nossos corações no momento em que nós permitimos isto a Ele, e o Reino de Deus pode deste modo fazer-se presente em nossas casas, famílias, comunidade e, principalmente, na nossa vida.
Nós cristãos, com nosso testemunho, temos que trabalhar para que em nossa sociedade o reino de Jesus seja a história da verdade sobre o erro, da pureza sobre a corrupção, da vida sobre a morte.
Dedicar a nossa vida a expandir o Reino de Cristo na terra é o melhor que podemos fazer, pois Cristo nos recompensará com alegria e uma paz profunda em todas as circunstancias da vida.

sábado, 5 de novembro de 2011

O que é a Igreja segundo o Concilio Vaticano II?


O Concilio Ecumênico Vaticano II foi convocado pelo Papa João XXIII no dia 25 de dezembro de 1961 e foi encerrado pelo Papa Paulo VI no dia 8 de dezembro de 1965. Nas suas quatro sessões os mais de 2.000 participantes convocados de todo o planeta discutiram e regulamentaram vários temas sobre a Igreja Católica.
O Papa João Paulo II classificou o Concilio Vaticano II como um momento de reflexão global da Igreja sobre si mesma e sobre as suas relações com o mundo. De fato esse Concílio é antes de tudo uma atitude nova da Igreja diante do mundo desse tempo que cavou simultaneamente dois sulcos: o da proximidade das alegrias e tristezas dos humanos deste tempo e o de uma redescoberta das fontes vivas da Tradição.
O Concilio Vaticano II definiu que a Igreja é em primeiro lugar o mistério do encontro de Deus com a humanidade, ou seja, a Igreja é o lugar onde se realiza a comunhão com Deus e a união entre seus filhos.
Antes desse Concilio a Igreja era concebida como uma sociedade hierárquica constituída e funcionando a partir de si mesma. Ou seja, a Igreja seguia um modelo piramidal onde os membros do clero eram os superiores e os únicos agentes na Igreja e os leigos eram inferiores e tinham a única função de obedecer e se deixar ensinar.
A partir do Vaticano II a Igreja segue uma estrutura de comunhão e participação. Todos os batizados são testemunhas e artesãos da comunhão que tem como modelo a Trindade. Seguindo esse modelo, todos - clero e leigos - são chamados a agir em conjunto para o bem da Igreja inteira e da sua missão no mundo.
Nessa perspectiva o Concilio nomeia a Igreja como: Povo de Deus, Corpo de Cristo, Templo do Espírito (cf. LG 17; PO 1; AG 7). A Igreja é ao mesmo tempo o povo convocado pelo Pai, o Corpo construído pelo Cristo, o Templo animado pelo Espírito.
O Vaticano II lembrou que a Igreja não é feita para si mesma, ainda menos para sua própria glória, mas para o advento do Reino e para a salvação do mundo. É essa a responsabilidade do clero, dos leigos, enfim, de todos os batizados.